terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Rain;


imagem: http://weheartit.com

Ainda de olhos fechados escutou o barulho da chuva e não acreditou. Ficou com medo de levantar e ter apenas imaginado, mas quando sentiu o cheiro –seu cheiro preferido- de terra molhada sabia que era verdade. Foi correndo então fazer um café bem forte, só pra poder beber lentamente, de olhos fechados, enquanto ouvia o barulho e sentia o cheiro. Não sabia bem ao certo quanto tempo ficava assim, no seu mundo, mas amava ter esse momento.
Isso a fazia esquecer de tanta coisa.
Ela era abstrata. Diferente. Não ouvia as músicas da moda, não gostava dos artistas do momento, não gostava do sol. Preferia o frio, as tardes em silêncio ouvindo o som da chuva junto com o som de uma boa música.
Logo correndo foi buscar seu livro de romance favorito, afinal estava chovendo lá fora. Adorava romances, já que podia viver a história dos outros como se fosse a sua.
Não, não que ela não tivesse uma história para viver. Afinal, quem não tinha? Até os mais pobres de sentimentos (e isso ela não era, com toda certeza) já amaram um dia. Ou amam e sabotam o amor com outros sentimentos duros, várias pessoas fazem isso. Ah, mas ela não, a estranha. Ela amava, amava de seu jeito livre e descontraído, leve como a chuva que caia na rua. Nem sempre tinha certeza de quem amava, do que amava. Já tinha se apaixonado por sorrisos, já tinha se apaixonado por um abraço, já tinha se apaixonado virtualmente também, se apaixonado por quem mora longe. É porque ela se permitia viver o amor sem medo de rotular isso, sem medo de perder sua liberdade.
Nunca concordou com o papo de que amor dura pra sempre, o resto é paixão. Não. Amor pode durar segundos, pode durar uma chuva, secar com o sol e dar lugar novamente a um outro tipo de amor. Ninguém conhece o amor suficiente para poder ter certeza, a gente nunca tem, e por isso ele é encantador desse jeito. E pode sim, um dia durar pra sempre, mas sem desmerecer os outros amores menos intensos, ou longos.
Deu um suspiro, comeu um doce, respirou fundo, cantarolou a música do rádio, pensou no abraço (e estremeceu), ouviu mais uma vez o barulho da chuva. Ventava também, que dia perfeito.
Então, ela sorriu, sorriu e só.
Ela era estranha afinal.
E correu para o meio do quintal, soltou os cabelos e tomou banho de chuva, sem medo.
Porque ela não tinha medo de se encharcar de sentimentos.

7 comentários:

Stafany Batista disse...

Só porque ela pensa diferente, não acho que seja estranha.

Flavih Jones disse...

Porque ela não tinha medo de se encharcar de sentimentos.

Perfeitooo.

Carolinne disse...

Belo texto! ^^

Islla Lopes disse...

Lindo ): obrigada pela visita, teu blog é um amor.

Gabi Petrucci disse...

É, eu sempre soube que eu era meio estranha mesmo!
"Porque ela não tinha medo de se encharcar de sentimentos."
*-*
Lindo, adorei!

Beijo

ValdêniaLima disse...

Sou eu Oo
sou exatamente assim...

C. Lisdália disse...

Confesso que fiquei arrepiada nesse...