terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Ele e a felicidade



Em uma das nossas (cada vez mais frequentes) conversas, ele me disse que não sabia ao certo o que era felicidade. ‘Pode parecer loucura, mas não sei se sou feliz’, disse-me ele. Logo mudamos de assunto, falamos sobre coisas banais, mas isso ficou na minha cabeça. Afinal, por que queremos sempre comprovar a nossa felicidade? 

Olhe as prateleiras das livrarias. Milhares de livros nos ensinando a fórmula da felicidade. Compre isso, vista tamanho 38, vá caçar seu par e case-se, tenha dois filhos e uma casa com um jardim gigante, um bom emprego, dois carros na garagem. Sem isso tudo não podemos ser feliz. Todo o tempo ficam nos ensinando a como ser feliz, o que fazer e como conseguir, mas sem saber que felicidade, meu caro, é muito pessoal. Ainda bem que eu não acredito em livros de auto-ajuda. 

No dia seguinte a nossa conversa, fiquei pensando se eu sabia mesmo se era feliz. Sempre achei que fosse. Nesse dia, cheguei no meu estágio e tinha bolo de chocolate. Pensa na minha felicidade! Comi dois pedaços gigantes, acompanhado de gargalhadas sem glamour nenhum. Na hora de ir embora, parei pra sentir um pouco do cheiro do mar. Isso me deixava mais feliz, percebi. No caminho para casa, em meio a toda a fila de trânsito, um lindo pôr-do-sol. Sorri secretamente por estar presenciando aquilo. Ah, que felicidade. 

Então eu percebi: felicidade não é apalpável, não é certa. Pode parecer como bolo de chocolate, mar e pôr-do-sol, pode aparecer como uma promoção no emprego ou dinheiro sobrando no fim do mês. Pode estar presente em coisas grandes, gigantes, pequenas, minúsculas, simples, complexas. Mas está sempre ali, essa tal de felicidade. O problema, é que nessa ânsia de querer ter certeza de tudo, às vezes apenas a deixamos passar, não a percebemos. Ocupamos seu lugar com as dúvidas, as incertezas.

 Quero te dizer, meu caro, que não sei se você é mesmo feliz. Mas não saber também é legal. Pra que ter certeza de tudo? Nessa procura louca por respostas, ás vezes você deixa de perceber aquela pontinha de felicidade. Ser feliz é não saber, é viver. Viva mais, se arrisque mais, ria mais. Jogue fora os livros de auto-ajuda: já basta as milhares de regras que temos que seguir na nossa vida, que ao menos a felicidade possa ser livre, possa ser só nossa. Sem receios.

3 comentários:

Mayra Borges disse...

Belíssimo texto. Eu costumo pensar que a felicidade é um linha pontilhada e não contínua. O que acontece é que justamente por ser pontilhada ela vai se intercalando com problemas e tristezas, mas que logo ali depois de uma curva ela reaparece. Ainda não perdemos a mania de imaginar uma felicidade enorme que dure para sempre, mas será que se isso acontecesse a vida não se tornaria chata? Esses temas sempre remetem a pensamentos e reflexões. Adorei, muito bem escrito.

www.eraoutravezamor.blogspot.com

Leontyna Santos disse...

Porque ser feliz é viver em constante incerteza e saber apreciar cada mínimo detalhe que a vida nos oferece para admirar.. Ser feliz é saber se entregar, mesmo cheia de medos, mas com a certeza de que tudo dará certo exatamente na hora certa.

Muito lindas tuas palavras..
Beijos*:

Vitória disse...

Costumo dizer que a felicidade está nos momentos, e é mesmo. Mas é com a dor e os momentos ausentes de felicidade que aprendemos a dar valor aos recheados de amor secreto... Você só precisa acreditar.
Adorei o teu texto, e aqui também;)
Beijo!

http://menina-do-sol.blogspot.com/