segunda-feira, 22 de abril de 2013

Observações de uma night.

weheartit.com

Vez em quando eu trabalho tirando fotos de festa. Sabe como é né, a vida é feita de freelas, afinal se até o tomate tá caro, imagina o miojo. Mas o que eu mais gosto nesses freelas é que observo muito e muito as pessoas durante a noite. E isso me faz entender o quanto estou ficando velha. É engraçado ver que já passei por algumas fases - e que pode não parecer, mas entre os 18 e os 23 anos muuuuuuita coisa muda.

 Primeiro que eu já não tenho mais saco para os velhos papinhos. Molecada sempre chega da mesma forma, é até engraçado. E alguns são muito insistentes! E eles pedem seu telefone, sei lá pra que. Se você não da bola pra eles, eles não ligam. Mas se você der bola, adivinha? Aí é que eles não ligam mesmo. Afinal, o outro dia já pede uma nova balada, novos números descartados, novos beijos vazios... As meninas parecem feitas em série. Mesma roupa, mesmo cabelo, mesmas atitudes. Algumas exceções me surpreendem: existem aquelas que se destacam das demais, são estilosas e cheias de si (no bom sentido). Não caem no papo dos malandrinhos, chegam nos guris se quiserem ou apenas ficam ali curtindo a música. Não são maria pick-ups, maria cerveja, ou maria-seja-la-o-que. Pena que essas são a minoria. O

utra coisa que me impressiona muito é a quantidade “rabo-preso” que existe dentro da balada. Gente que ao ver a câmera em sua direção some magicamente. Cansei de ouvir “não bate foto de mim não moça, minha namorada não sabe que eu estou aqui”. Não foi uma ou outra vez, isso sempre acontece. Mais de uma vez na noite, inclusive. E na maioria das vezes (maioria, não todas), com os homens. Isso me faz questionar ainda mais o motivo das pessoas se relacionarem uma com as outras – seria o medo de ficar sozinho? Por medo da solidão as pessoas namoram com o primeiro que aceitar? Só pode ser isso, uma insegurança generalizada, ou uma vontade de ter alguém por status, para justificar tanta babaquice.

 Que eu saiba – e posso estar sendo tão medieval quanto o Cazuza – namorar é aquela coisa que rola confiança, verdade, parceria, não é? Então qual o sentido de fazer tudo escondido? Ah sim, a vontade de sair sozinho, com os amigos pra curtir. Mas não se pode fazer isso quando está namorando? Ah claro que não. Tem todo aquele lance do ciúmes e tals. Então, bem mais fácil dizer que estava dormindo e sair escondido, não tem problema. É Nando Reis, o mundo está mesmo ao contrário e ninguém reparou. Todos os valores estão invertidos. As pessoas trocam alianças, alteram status nas redes sociais, mas não são capazes de manter a coisa mais importante de todas: o caráter. Querem ter a vida e a liberdade de solteiro, mas sem deixar de ter a soneca de conchinha nas tardes tediosas de domingo. A verdade é que ninguém sabe mais o que quer da vida, e por isso escolhem fazer tudo por debaixo dos panos. Querem ter sua liberdade, mas não são capazes de deixar o outro livre também. Seria tão mais fácil!

 Depois ainda me perguntam por que eu gosto de ser sozinha. A questão não é gostar – assim como qualquer ser humano normal, eu também sinto falta das sonecas de conchinha aos domingos. Mas prefiro ter a certeza de que estou fazendo o que bem entender sem precisar enganar ninguém. E, enquanto não encontro alguém que queria ser simplesmente livre como eu, vou seguindo só observando a babilônia que se encontra isso que chamamos carinhosamente de amor.

5 comentários:

Raquel Diniz disse...

É, dos 18 aos 23..24 muda muuuita coisa. Não temos mais paciência pra aquilo que chamávamos curtição da adolescência. Ué, se já não somos mais adolescentes o porquê agir como tal?!
Às vezes quando estou andando por aí observo esses jovens adolescentes em seus grupinhos. Tudo é novo, tudo é mais, tudo é maior. Depois mal sabem eles que perde a graça esse novo-tudo-maior.

Ainda mais em um relacionamento a dois. Já não se fazem mais casais como antigamente, que a confiança, o AMOR, sim o amor, vinha em primeiro lugar. Hoje essa gente namora com medo de ficar só. Não tem amor próprio e preferem fingir amor e viver uma falsa felicidade a dois. Triste.

:/
Curti demais o texto. Volta mais vezes.

Leontyna Santos disse...

Vejo tantos corações vazios por aí fingindo ser copo cheio de cerveja. E também vejo tanta gente com o coração repleto, mas sem conseguir usar essa capacidade de amar. O mundo está realmente cada vez mais confuso e não sei bem se gosto disso.
Acho que nasci na época errado, no mundo errado e com os valores completamente errados. Hoje é espantoso ouvir alguém que diz jamais ter traído, vira motivo de chacota ou de desconfiança. Qual é o problema das pessoas com o ato de ser fiel?

Amei o post!
Beijos*:

Marie Motta disse...

Concordo em gênero, número e grau. Sai bem com a minha solidão, me sinto completa em minha própria companhia. O mundo está cheio de pessoas mas com pouquíssimos humanos. Amores miojo (pronto em três minutos, esfria em cinco e com seis minutos ninguém mais quer)...triste. Boa reflexão, desabafo ou indagação.

Beijos

Agatha Nezinho disse...

Concordo, Concordo, Concordo!
Esse desamor é tão comum mas não deve ser normal, aceitável. A boa noticia é que tem gente que ainda faz questão de viver numa boa, sem passar por cima, sem absorver e fazer mal a outra pessoas pelo egoismo de suprir momentaneamente um vazio qualquer.
Os valores se invertem mesmo, se valorizar não é para os outros, sem necessidade essa ideia de sair por ai mostrando exageradamente o corpo como sinal de independência feminina.Se valorizar é muito mais ser fiel a si mesmo. sabe ? estar em paz e satisfeita em ser e nada mais. É algo interno e pessoal.
Como fico longo, espero que tenha me entendido. abraço.

Danni Coutinho disse...

Texto ótimo amei concordo perfeitamente.
Beijos no coração.
Enquanto isso eu também vou seguindo sozinha.