segunda-feira, 10 de março de 2008

Elevador



Morava no vigésimo, então era praticamente obrigada a fazer uso do elevador, o que, de fato, detestava. Era calor e ela apertava o botão. Desejava descer direto e sozinha, sua franja estava rebelde. Além do que, sempre ficava sem jeito quando as pessoas entravam no elevador. Sempre dava aquele sorriso sem jeito acompanhado de um “bom-dia” ou “será que hoje chove?” e coisas inúteis assim.
Foi então que quando a porta se fechava, uma mão a interrompia. E um garoto entrava (e ela estava com a franja rebelde!). Se olharam por um andar, foi no 19º andar que ele falou algo ininteligível, que ela aceitou como um bom-dia. Os dois estavam sem jeito, e pior: o cabelo dele era enrolado! Ela olhava para o chão, ele para o lado. Foi no 17º andar que ela arriscou uma olhada. Ele era lindo e ela, tímida. Mas não podia deixar passar a chance! Mas ele que tinha que tomar uma iniciativa, pois ela não teria coragem.
16º,15º andar. E ambos sem coragem.
Foi então que o inesperado aconteceu: no 13º andar O elevador se abriu, e ela pensou que mais pessoas iriam entrar e estragar o que já estava se estragando. A porta se abriu. O andar estava vazio. E eles se olharam, sem nada dizer, mas dizendo o bastante. A porta fechou e eles ainda se fitavam, não se sabe por quantos andares mais.
No 9º andar mais uma ajuda do destino: a porta novamente se abria, e estava novamente vazia. Os cachos dele balançavam e a franja dela estava desajeitada de um jeito charmoso até. E ela viu que o tempo estava acabando. Criou coragem no 8º e perguntou se ele morava ali. Isso o pegou de surpresa, pois só foi responder no 7º andar. Ele era novo no prédio, se mudou para o vigésimo ontem.
Ela sorriu, e no 5º, ele também. No 3º ela disse um “se precisar de ajuda, é só avisar.” E antes que o 2º chegasse, ele perguntou o nome dela. No 2º ainda, ajeitando a franja, ela respondeu. Mais sorrisos, mais um andar. O térreo era o próximo, mas não fazia mal. Ela sorria satisfeita, e ele, correspondia com um olhar esverdeado.
O elevador parou, a porta se abriu, ambos saíram. Meio desajeitados, meio assustados. Porém, felizes.

10 comentários:

Carolina de Castro disse...

Me indentifico com isso..
Extremamente desajeitada e tímida.
Mas com pequenos atos que tornam o dia imensamente feliz!
Lindo seu texto.
=P
Bjos

PleTz disse...

Fabulosa a maneira que vc narra.
O passar do tempo e das ações conforme os andares vão passando.
Parabéns

Juliana Caribé disse...

Adorei. Os acasos da vida são maravilhosos...

Beijos.

Ana Cláudia Zumpano disse...

adoreiiii
essa sensação, nos encontros e desencontros não tem igual!
que bom que atualizou... bjos ;*

.Maah* disse...

aiaiaiaiaii...
Obrigada eu pela visitinha! =DD.
Viiu, texto liindo.
Eu não sou tímida, mas eu fiquei até com dó da menina. =DD.
Ótiimo meeesmo.
Beeeeijo.
.Maah*

Garota Enxaqueca disse...

=)

Amei!

Marcela disse...

Aaaaii Cris.. que gracinha, amiga!
E a imagem então, linda de viver!
Vc é espetacular mesmo!

Eu entendo a falta de tempo, viu? Nao se preocupa.. olha como não ando postando nada de util tbm =/

Se cuida, e muito obrigada por sempre me dar força!

Beijosssss

Michele disse...

Perfeito o conto e a foto!!!
Te linkei, tá!

Beeeeeeeeeejo

Michele
magricelanapanela.zip.net

Hélder, o míope disse...

Heeheheheh...
Se esse prédio tivesse mais andares...

heheheheheh

Muito bom!
Gostei muito!

Bejo.

Amanda Bia disse...

ai que lindo! nada como trocar, nem que seja um olhar, com um belo estranho!
beijos!