quinta-feira, 19 de março de 2009

Fim.



Foi no nosso abraço gelado que o mundo parou. Não do jeito de antes. De repente erámos apenas dois estranhos, apenas tentando entender. Onde foi que erramos?Não posso colocar a culpa em ti. Não posso colocar a culpa em mim. Fomos nós dois juntos, que na ânsia de nos achar, acabamos nos perdendo de vez. Nesse momento, não falamos nada. Não adianta tentarmos explicar, não adianta tentarmos nos justificar. A um vazio bem no meio de nós, uma barreira que com o tempo nós criamos. Eu olho pra ti por alguns segundos, aí é fatal: então nos damos conta. Acabou.A gente chora, uma lágrima quente no abraço gelado.Então, com um silêncio ardido, nos despedimos. Você faz menção de falar algo, mas desiste. É melhor.E assim eu vou, tentar ser somente eu. Sem olhar pra trás.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Make-down.




Maquiei minha tristeza com um batom vermelho. Quando me olhei no espelho me senti até
bonita, mas lembrei que era só maquiagem, e fiquei sem chão.No tudo preto-e-branco que eu via, minha boca se destacava com um vermelho amargo, quase,
quase dava pra fingir que era feliz.Quando eu te vi, não tinha batom pra retocar, mas acho que daria pra ter te enganado um pouco, se eu não tivesse saído correndo.É que ta tudo em mim ainda.Testei meu batom em outras bocas, mas só via a tua na minha frente, então eu não entendia nada.
Não adiantava toda aquela minha maquiagem: era vísivel agora.
Então eu peguei tudo isso que se mistura no meu estômago, quando te vejo assim feliz, sem
maquiagem, sem máscara, sem nada,
(sem mim!)
e coloquei dentro da minha gaveta. Só não sei em que lugar da nossa história esqueci a chave.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Merry Xmas


De repente, no meio da loja, parou. Teve um baque. No meio de pisca-pisca, papai-noel e todas as parafernálias natalinas foi que se deu conta em que época estava. Se deu conta que já era o último mês do ano. Último. Foi então, que no meio dos jingles de natal que atravessavam seu ouvido, sentiu a sensação de natal. Sentiu um certo espírito natalino que estava adormecido. Em silêncio, com um papai-noel de chocolate na mão, foi revivendo momentos. Era dezembro, véspera de natal. Tinha uns dez anos, estava na varanda da casa da vó, na rede com suas primas. Aqueles coraçõezinhos ansiosos, esperando a noite chegar. Será que daquela vez iriam conseguir ver o papai-noel com suas hennas?
A hora não passava. Era incrível como o dia era longo na infância! Não tinham mais o que fazer, ela e suas primas, a não ser esperar. Sempre tentavam dormir, para ver se o dia passava mais rápido. Não podiam ir para cozinha, afinal as mães estavam super ocupadas e ligeiramente estressadas com os preparativos. E o mais estranho, o quarto da vó estava trancado, sempre ficava trancado nesse dia. Vai ver papai-noel se escondia lá.
A noite ia chegando. Hora de colocar as roupas novas, ver o especial de natal da globo, e descobrir quem era o papai-noel do fantástico. A família vinha chegando, tudo ia virando uma bagunça gostosa. Perto da meia-noite, e o coraçãozinho da menina ia pular para fora. As mães anunciavam: “O papai-noel ta lá fora! Corram lá para ver!” E todos os primos ia lá para fora. De repente a porta da sala estava fechada. E Puft! Milhares de presente debaixo da árvore! (e o quarto da vó, destrancado!). E mais uma vez não viram o papai-noel voando. Mas ano que vem, ela iria entrar no quarto da vó, e ia pegar ele!
Presentes e mais presentes. Abraços, Cd especial de natal tocando (“então é natal... ano novo tambééém”), família reunida. Hora de comer a ceia, e brincar até adormecer no sofá.
“Moça, onde tem Mais desse papai-noel de chocolate?” Puft. Voltou a realidade. Dezembro, e não era mais a mesma coisa. Sem responder, largou o chocolate na prateleira, e saiu sem levar nada.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Parabéns Atletas do Brasil

Na foto: Leandro e Ketleyn com o Bronze no judô.

Resolvi falar sobre isso quando ouvi pela enésima vez alguém falando mal do Brasil nas
"OlimPiadas" como chamam por aí. Quer saber o que eu acho? Parabéns Brasil, você foi ótimo! Mulheres do esporte então, deram um show. Como é que um País que não ofere estruta nenhuma ao esporte quer ter uma colocação melhor? Eu que sou atleta (e olha que não sou atleta de fim-de-semana, são 11 anos ralando a cara no tatami todo dia), sei como é difícil praticar esporte aqui. Falta lugar descente, apoio, as academias que oferecem as modalidades são caras, e o governo paga mal para os atletas, além do que conseguir um patrocínio é praticamente impossível. Agora para o Brasil é muito bonito olhar nosso desempenho e falar mal dos atletas né? Mal sabem as pessoas a história de cada um pra chegar ali onde chegou. Não importa que em ultimo, mas o que importa é que tinhamos verdadeiros patriotas fazendo de tudo que fosse possível para trazer uma medalha ao Brasil, para ter o reconhecimento de uma nação. Para os que conseguiram, meu sinceros parabéns, verdadeiros guerreiros. Só é uma pena que tirando o futebol, niguém lembra das conquistas nos outros esportes por muito tempo. ( Eu gosto de futebol, mas acho mais uma grande jogada de marketing do que um esporte, efim, opnião minha que nunca vou ganhar milhões pra correr atrás de uma bola).Então, digo e repito pra quem quiser ouvir: Parabéns Brasil pelo ótimo desenpenho nessas olímpiadas! E se um dia alguém quiser cobrar resultados de países de Primeiro mundo, que tratem nossos atletas e ofereçam estruta como esses países oferecem.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Happy B-day :)




Venho tirar poeira deste blog, porque hoje é nada menos que o meu aniversário ( e
também porque eu estava com saudades daqui). Bom 19 anos hoje, e sei lá, me sinto tão
com 15 ás vezes! Outras com 30. Idade é estado de espírito né? Vou comparar o que fiz no mesmo dia ano passado, quando já me tornava uma responsável
(HO-HO). Ano passado chovia no Guarujá, onde eu morava com meus tios e minhas primas
(que eu morro de saudades!). Hoje em Joinville onde moro com meus pais está sol com
um vento meio frio. Tanto ano passado quanto esse ano eu fiquei um bom tempo em fila de banco (acho que
tem coisas que não mudam nunca né?).Meu peso oscilando igual, meu tamanho não muda tem alguns anos ;PMeu cabelo está bem maior (Ano passado em um ato de rebeldia, cortei channel, coisa
que não vou fazer tãããão cedo.) Ano passado era solteira, esse ano não.De noite, pra comemorar fui com minha prima-irmã no McDonalds do Gonzaga, em Santos
(o melhor na minha opnião), comemos um Super Cheddar peperoni :)Lembro direitinho, foi tão legal! Saudades enormes da minha companheira de idas a
Santos!Esse ano, bom, vou jantar alguma besteira também...Enfim, vem ano vai ano, a gente muda, algumas pessoas aparecem outras somem, temos
novas experiências. E assim a gente vai vendo como a vida passa depressa, olhamos
para trás e lembramos das coisas com carinho. Olhamos para frente e traçamos
objetivos. Mas o mais importante, é vivemos o hoje, sem a certeza de que teremos o
amanhã. Afinal, como eu ouvi no Kung-Fu Panda ;P, "O ontem é a história, o futuro é o
mistério, já o hoje é uma dádiva. É por isso que se chama presente." Ou algo assim :)Beijos, até mais e com mais calma, prometo que não abandono!

sábado, 28 de junho de 2008

Café.




Andava na rua, no frio, alheia a tudo. A garoa teimosa caia, e o dia estava
pateticamente cinza.
Em passos apressados, ia a lugar nenhum. Viu uma doceria que parecia aconchegante, tudo que precisava era tomar um bom café pra colocar as idéias no lugar. Não hesitou em entrar. Mesmo com seu jeito enfático, ninguém pareceu notar sua presença. Ninguém se moveu. Era tudo meio cinza lá dentro também, mas era quente. O cheiro de café fresco e os doces na vitrine, convidativos. Sentou-se em uma das mesas com a toalha xadrez desbotada, e escolheu um capuccino tipo italiano com chantilly.
Enquanto esperava observava as pessoas afundadas em seus jornais lendo as rotineiras notícias de violência com um mesmo ar inexpressível de quem lê horóscopo. Era assim que acontecia, todos os dias a mesma coisa, e todos nós conformados, pensou. Mas assim que chegou seu capuccino, numa visão deslumbrante de chantilly derretendo, esqueceu de tudo.
Quando o paladar pode sentir o gosto perfeito do café com chocolate, ela sentiu como se não houvesse mais nada a se preocupar. Esqueceu dos próprios problemas que a faziam andar na rua num dia de garoa, problemas que julgava serem os maiores do mundo. Enquanto bebericava lentamente o capuccino, ia pensando que não havia graça em viver. Não tinha as roupas que desejava, brigara com os pais porque os mesmos não a deixavam voltar de madrugada as festas, e tinha um namorado por conveniência, que parecia nem ligar para sua existência. Mas algo a tirou de seu mundinho imperfeito: mãos pequenas e unhas sujas, que ofertavam jujubas.
Ao ver as mãos, observou tudo, os pés com chinelos, as roupas surradas e úmidas, os olhos. Os olhos brilhantes, mas um brilho de súplica. Encarou esses pequenos olhos, bem no fundo, e foi como se algo a tivesse despertado para o mundo. O mundo real, onde os problemas vão muito além de brigas com namorados ou preço de sapatos.
Ali na sua frente a realidade crua, nua, vendendo nada mais que jujubas, com um sentimento de culpa por estar tentando sobreviver.
Encarou o olhos.
Não comprou jujubas. Não pode.
Num ápice, abraçou o menino sujo. Assustado, hesitou por um momento, mas cedeu.
Ali, em uma cena que soava a compaixão, duas pessoas ganharam o mundo. A menina, por perceber que existe algo além de seus próprios caprichos, e o menino por saber que apesar de tudo, não se pode deixar perder o amor a vida.
Quando largou o menino, o brilho nos olhos dele já não era de súplica: mas sim de esperança.
Apressadamente, ela pagou o café, pagou um café para o menino, e foi-se.
E, apesar da garoa teimosa, nada parecia mais cinza.

(E o menino, quase sem entender, sorriu. Não vendeu Jujubas, vendeu realidade).

terça-feira, 17 de junho de 2008

Cabeça de Vento



Coitada, ela era um ser confuso.
Amava, amava loucamente, amava com o amor de quem se ama.
Amava em silêncio, pra ninguém perceber. Uma loucura.
Saia e sentia aquele vento frio antes da chuva. Forte, forte, bagunçava seus cabelos.
Mexia com sua cabeça, partilhava seu segredo.
Colocava em dúvida seu amor. Não podia.
Depois que passava o vento, vinha a chuva. Tudo voltava a ser cinza e normal.
Depois que passava o vento, voltava seu amor.
Não tinha mais dúvida naquele momento.
Por isso preferia amar baixinho.
E não preferia sentir o vento. Quando fechava os olhos e sentia o arrepio do vento, se sentia culpada.
Se sentia traidora.
Amava outro que não o vento. Assim pensava, assim pensava que sentia.Mas o que sentia? só Deus sabia.