terça-feira, 3 de julho de 2012

É passageira.


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Fazia tempo que eu não acordava tão cedo para pegar o ônibus rumo ao trabalho, mas ontem foi uma exceção. Devido ao lugar que eu me encontrava, seis e meia da manhã já estava sentada no baquinho desconfortável pensando que iria dormir até chegar no meu destino. Tive sorte de não ficar em pé, logo pensei que conseguiria mesmo ir cochilando, mas a menina que estava sentada do meu lado não deixou. Não porque ela estava ouvindo funk no celular sem fone-de-ouvido, até porque acho que ninguém em sã consciência se arriscaria a fazer isso numa segunda-feira de manhã com todos mau-humorados ao seu redor, mas porque ela estava chorando. Discretamente, quietinha, olhando para a janela, quase não dava para perceber. Mas eu percebi. 


Fiquei meio assustada no começo. Depois curiosa. Olhei discretamente (dentro do possível) para ela, em busca de vestígios sobre qual motivo ela estaria se debulhando em lágrimas numa segunda-feira, ás seis e meia da manhã. Perdeu o emprego? Perdeu a carteira? Perdeu a bolsa? Não, eu aposta que era outro tipo de perda: perdeu um amor. Ah o jeito que ela olhava para a janela, depois para o celular, depois balançava a cabeça como quem não entendia nada. Os suspiros, a respiração entrecortada, as olheiras, o cabelo preso, a vontade de não querer chorar mas mesmo assim não conseguir, as pernas inquietas. Já vi esse filme. 


Fiquei convalescida com ela. Entendia como era aquilo. Quis dizer para ela que vai passar. Que vai doer ainda inúmeras vezes, que ela vai chorar ainda algum tempo quando lembrar, que ela vai querer esquecer mas vai se trair lembrando das coisas. Mas que passa, com certeza. Quis abraçar ela, porque sabia que ela choraria ainda mais. Quis dizer que já estive desse lado, que sei o quanto é difícil, mas que agora estou do outro e toda essa lágrima retida tentando cair discretamente durante as viagens de ônibus serviram para muita coisa. 


 Mas eu não disse nada, óbvio. Afinal eu nem sabia se essa minha visão hollywoodiana era o principal motivo das lágrimas dela. De repente ela tinha perdido mesmo a bolsa, ou algo assim. De qualquer forma, me lembrei que estive ali, mas agora estava sentada no banco do lado, criando hipóteses sobre a tristeza dos outros. E ali dentro daquele ônibus, lembrei do velho clichê: a dor é mesmo passageira.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Sobre ovos quebrados.

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Nada é mais igual do que 'dessa vez vai ser diferente’. Li isso em algum lugar, se não me engano dizia que era da Tati Bernardi. Não sei com certeza quem escreveu, mas sei com certeza que essa pessoa não poderia estar mais certa. Sempre achamos que dessa vez vai ser diferente. E que dessa outra vez também. E que da décima vez também. Essa é a última vez – juro – porque será diferente mesmo. Ele (a) mudou, prometemos que vai ser diferente. Quem não conhece essa história? 


 No começo, claro, é sempre diferente. Mas é como se você estivesse pisando em ovos, um pequeno descuido e pronto, o estrago está feito – tudo melecado outra vez. Limpamos, tiramos os vestígios e estamos pronto para recomeçar, melecando tudo outra vez. Até uma hora que um dois dois cansa desse cheiro recorrente de ovo podre e se manda. O problema é que muitas vezes volta, passa um longo tempo e volta ‘diferente’, com mil promessas. E o diferente acontece tudo igual, afinal ovo quebrado tem um cheiro ruim, não da pra disfarçar muito tempo não. 


 Acontece que com raras excessões – tem aqueles que realmente conseguem fazer diferente, não devem ter olfato penso eu – a história fica se repetindo, repetindo, repetindo e nem a gente sabe porque tenta de novo. Já deu errado, mais de uma vez, então por que insistir? Uns dizem que é porque ainda existe amor, e deve ser esgotado até a última gota. Será mesmo? Para que esgotar ao ponto de só sobrar coisa ruim? Não é mais fácil colocar esse amor em algum chão em que se possa pisar com firmeza? 


 É mais fácil, com certeza. Mas somos teimosos. Eu fui teimosa por tanto tempo, mais de uma vez, em mais de um relacionamento. Queria ter certeza –embora já tivesse quebrado tantos ovos – de que o diferente seria mesmo igual. Resultado? Fiz um grande omelete de gosto ruim. Depois de empurrar até a barriga estufar acabei chegando a essa conclusão cheia de metáforas. Acreditem, não precisa estragar uma dúvida de ovos – no primeiro quebrado vá buscar outro igrediente. Mais firme, de preferência.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Amor (não) é burrice


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Li não me lembro onde a frase “amor é falta de Q.I, tenho cada vez mais certeza”. Não sei quem é o autor da seguinte frase – afinal nesse mundo virtual ninguém tem mais certeza de quem são os verdadeiros autores do que se lê – mas eu concordo com ele. Amor emburrece mesmo. Amor não é só cego não, ás vezes parece que ele nos deixa surdo, mudo e com alguns neurônios a menos. 


 Você, que assim como eu, já se apaixonou, diz aí se não é verdade? Quantas vezes nos fazemos de desentendidos para certas coisas tão óbvias? E quando não enxergamos, ou melhor, nos fazemos de cegos, para aquela verdade que está bem a nossa frente? Ah sim, eu já fingi que acreditei em muitas coisas. Já deixei de fazer tantas outras também. Já ceguei para o que estava explícito, não ouvi o que me gritavam aos berros e calei quando deveria falar. Aceitei o que jamais achei que aceitaria, quis até mudar meu jeito, veja só. Tudo isso por amor. Mas amor, pergunto eu, a quem? 


 Aceitar algumas coisa, vá lá, é normal. Afinal, são dois seres diferente que estão em uma relação. E me fingir de burro, para você sobressair, como diria os versos de Cazuza, vez em quando tudo bem. Mas até que ponto podemos insistir nessa “burrice” que provém do amor? Amor, acredito eu , é aceitação. É amar o outro justamente por aquilo que ele tem de bom, é claro, mas aceitar também os seus defeitos. Tem que ser o pacote completo.


 Mas o que vejo cada vez mais por aí é gente se anulando. Gente deixando de ser o que é por causa do outro. Tudo bem querer se tornar uma pessoa melhor, afinal todos temos inúmeras manias e defeitos que podemos corrigir. Mas, faça isso por você. Para você ser uma pessoa melhor e não porque o fulano quer que você seja isso ou aquilo, senão ele te deixa. Deixa ir então! Não seja o que você não é, não queira mudar sua personalidade, não se torne justamente aquilo que detesta. 


 Afinal, é muito fácil que a pessoa esteja ao nosso lado somente quando as coisas boas acontecem né? Ter só os sorrisos, os dias de bom humor e saldo positivo é molezinha. Quero ver é quem aguente a gente nos outros tantos dias. Quero ver quem fica do lado do outro quando passa a fase de conquista, a fase em que é amor e beijo para todo canto. Ninguém é feito só de qualidade e calmaria meu amigo. E se você não consegue aguentar a pior fase da pessoa, tem certeza que merece ficar do lado dela na melhor? 


 Então, não sejam burros. Não deixem o amor emburrecer. Amor é lindo e coisa e tal, mas precisa ser transparente. Não tem nada a ver com um completar o outro ou deixar de ser isso ou ser aquilo por causa do outro. É andar junto, lado a lado. É compartilhar as coisas, é entender, é calar quando se tem que calar mas ouvir quando é preciso. É ser você. E uma coisa eu digo: se você quer ficar mudando toda hora com medo de perder o seu amor, sinto muito, mas o mais valioso você perdeu, que é seu amor próprio.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Amor não se mede em tempo.

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Tempos modernos e ainda aquele velho papo do amor dura para sempre, paixão não. Se acabou então não era amor. Quem disse? Quem é que pode ter tanta certeza disso? Amor não tem que ser pra sempre não. Paixão não precisa acabar logo. Amor pode ser paixão ardente, fogo e durar muito. Amor pode ser calmo, sereno, lindo e durar pouco, muito pouco. Mas nem por isso ele deixou de ser amor enquanto durou. 


 Me lembro que tive um amor de duas semanas. Sim, eu amei, por duas semanas. Pouco tempo né? Há quem diga que é impossível amar em tão pouco tempo. Digo eu então que não é só muito possível, como talvez tenha sido um amor mais bonito e gostoso do que outros que duraram bem mais tempo. Tanto que lembro dele com muito carinho e um sorriso leve no rosto. Aí me perguntam: se era amor, porque não deu certo? Eu digo que deu certo, muito certo, dentro dessas duas semanas. Era o tempo que aquele amor precisava ficar na minha vida para fazer eu ter uma boa lembrança dele. Então, esse sim deu certo.


 Amor meu filho, não é pra sempre não. Ele acaba, ele surge de novo, ele se transforma, ele é loucura, é amargo, é triste e é sublime. Tem diversos sabores, rótulos, nomes e formas de se manifestar. Se ele fica ali por anos a fio ou apenas meses, não importa, não vai ser mais amor ou menos amor. Não se mede amor pela quantidade de dias, mas sim pelo que ele proporciona no muito ou pouco tempo que se manifestou. Felizes daqueles que conseguem identificar e aproveitar o amor passageiro ou o amor duradouro, tanto faz, mas que vivem cada dia que podem ao invés de ficar esperando que ele acabe. Que parem de ficar rotulando o sentimento, que apenas se sinta. Se o gosto foi bom, guarde na memória, se foi ruim, experimente outro. Deguste por quanto tempo durar o bom sabor.



quinta-feira, 31 de maio de 2012

Pareço legal mas não gosto de sushi.

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Sempre que eu falo que detesto sushi chove palavras de indignação. Como assim não gosta de Sushi? É uma delícia! Coisa de outro mundo! Todo mundo ama Sushi! Você que não deve ter comido no lugar certo! Entre outros blábláblás do gênero. Confesso que os sushis que experimentei não foram em restaurantes especializados no tal, então resolvi me render e comer o sushi feito em um dos melhores restaurantes. Um amigo meu pediu, e lá fui eu, tapei o nariz, mergulhei no molho shoyo e me rendi ao tal sushi. 


 Agradeço ter experimentado esse sushi desse tal restaurante pop, afinal eu pude realmente constatar: Sushi é ruim demais!!!!!! É sério, o que acontece com esse povo? Como é que pode sushi estar tão na moda, a ponto de ter um restaurante a cada esquina? A sensação que eu fiquei é que tinha ido até o mercado público de Florianópolis e dado uma fungada na banca de peixes. Sério. 


Não devo ter nascido com um paladar muito refinado. E agradeço muito a isso. Não sei porque essa mania de gente que se acha phyna ficar comendo coisas estranhas com nomes esquisitos. É lesma, ova de sei la que peixe, cogumelos ruins e caríssimos e peixe cru. E pagam ainda um absurdo por isso! Eu não como lesma nem de graça amigo. 


 Você que gosta de ter hálito de peixe cru: gosto é gosto, eu sei. Então não me condene quando eu disser que sushi é a coisa mais horrível do mundo! Porque, meu amigo, bom mesmo é picanha com farofa. Pizza de frango ou até um salmão, desde que bem assadinho e temperadinho. E se estar fora de moda é não ir ao sushi, te digo que adoro exercer minha breguice num bom rodízio de carne. Com garfo e faca. 


ps. Tentando mastigar aquele sushi me senti numa prova do No Limite. Olho de cabra com molho shoyo será que rola? 


Ps2. Rodízio de pizza poderia voltar a estar na moda no lugar desse monte de restaurante de sushi né?

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Foi uma história bonita, ponto final


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Sempre achei que não saberia colocar pontos finais. Virar a página, quase impossível. Afinal se a história que estava escrita ali atrás era linda, porque eu não podia reler, reviver, reinventar? Então, por mais que as próximas estivessem cheias de rabiscos, rasuras, algumas tivessem sido rasgadas e outras cheia de palavras duras e sem sentido, eu sabia que a página bonita ainda existia, ainda estava lá. Nesse nosso livro louco, não deveria ter ponto final, apenas reticências. 


 Depois de tentar reescrever esse nosso conto torto e com mais momentos de arrancar lágrimas do que de tirar o fôlego, decidi: não há mais espaço em branco que possa ser preenchido com letra alguma. É vício, como ler aquele livro que já lemos trocentas vezes: da saudade e a gente pega pra ler de novo, mas sabe que não vai haver novidade, que não tem como mudar, pq já foi, já vivemos, então para que? 


 Sei bem que já escrevi tantos finais, e depois comecei tudo de novo. Sempre você, ora sendo o protagonista, muitas vezes sendo o antagonista. Você que nada tem a ver comigo, mas que deixa eu me perder tanto nesses gostos opostos. Quero me encontrar agora amor. Lembra do livro que me deu? Devolvi, pois não cabe mais história alguma. Onde se passa borracha ainda ficam marcas, onde a folha é rasgada fica algo incompleto. Algumas linhas foram lindas, vou ler vez em quando. Por enquanto, me escrevo em outras páginas. 


 Um dia escrevo pra ti, e não mais por ti. Mas para contar outras tantas histórias que agora não cabem mais a nós.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Pelos dias de cão, muito obrigado.


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Pois dizem por aí que a pior coisa do mundo é descobrir uma traição, descobrir que a pessoa que era sua verdade é na verdade a maior das mentiras.  Que nada! Agradeça a descoberta da traição. Agradeça ter descoberto todas as mentiras. Agradeça essa dor – que é enorme, sabemos bem. Chore, tome muito café, vodka ou sei lá, fume muito cigarro se você fuma, xingue, esmurre o travesseiro. Fique indignado, revoltado. Mas agradeça por passar por tudo isso. Pois tudo isso fortalece.
Depois desse momento de revolta, tudo fica mais claro. Você acaba percebendo que descobrir tais mentiras, por mais dolorido e traumático que tenha sido, foi a melhor coisa que poderia ter acontecido. Afinal, ninguém merece viver uma mentira.  Agradeça por não perder a vida inteira com a pessoa errada.
Errar, todo mundo erra. Erramos, perdoamos, voltamos a errar e perdoar. Mas merece ser perdoado aquele que reconhece seu erro. Grande ou pequeno, mas reconhece. Agora, se você perdoou, mas a pessoa continua persistindo no erro, não vale a pena. Não vale a lágrima, não vale as noites sem sono. Falta de caráter não tem perdão.
Não se culpe. Temos essa mania de colocar a culpa na gente pelos erros dos outros. Se a gente tivesse feito diferente, teria acontecido? Difícil saber. Mas aconteceu. E se você foi íntegro, sincero, se não usou máscaras ou inventou personagens, o erro não foi seu. Perdoe-se! Não se sinta idiota por ter sido enganado. Lembre-se: pior é quem fica se enganando, acreditando nas próprias verdades inventadas. Deus nos livre desse tipo de pessoas.
Então o tempo vai passando, depois essa dor nem fará cócegas. Você seguirá sua vida, entenderá que essa descoberta foi a melhor coisa que te aconteceu. Um mal para livrar de outro.
De tempo ao tempo. A vida se tornará mais leve depois, você verá. Por enquanto, apenas agradeça por ter se livrado e vá cuidar de você, a única pessoa que é responsável pela sua felicidade.


“Pelos dias de cão, muito obrigado , pela frase feita ...Por esculhambar meu coração antiquado e careta. Me trair, me dar inspiração preu ganhar dinheiro...Obrigado
por ter se mandado, ter me acordado pra realidade das pessoas que eu já nem lembrava, pareciam todas ter a tua cara”
Cazuza, Obrigado por ter se mandado.