domingo, 7 de março de 2010

Domingo.


imagem:http://weheartit.com


Ela andava meio introspectiva, e piorava porque era domingo e chovia.
Não tiraria o pijama, nem sairia da cama.
Sairia sim, na verdade, pra tomar aquele café forte ou a coca-cola que jazia na geladeira, levantaria para ir até a janela fumar seu cigarro enquanto cantarolava músicas que ninguém conhece.
No mais, não sairia da cama não.
É que a cama ainda guardava ele, ainda que a muito ele não estivesse passado por ali. Sair da cama pareceria uma despedida, uma despedida dura no domingo de chuva.
E por que ele saiu da sua cama, afinal?
Porque a uns tantos domingos atrás ele também não tiraria o pijama, não sairia da cama, e estariam abraçados feito tolos o dia inteiro. Ele com a barba por fazer, ela com o cabelo desgrenhado e vestígios de maquiagem da noite anterior.
E ficariam assim por horas, num ritual de dormir, acordar, ligar a teve e reclamar da programação do domingo, beber a coca-cola já quente que estava ao lado da cama e lamentando que amanhã seria segunda-feira.
Ah, que droga, pensou.
Mas não chorou, nem um pouquinho.
Fez melhor: levantou da cama, tomou um banho demorado usando todos os xampus e cremes e sabonetes que tinha direito, arrumou seu cabelo, passou kilos de maquiagem para parecer com um aspecto natural, colocou uma roupa, mas não uma roupa qualquer, colocou exatamente aquela blusa que ele achava brega – mas que ela amava- e seu shorts desbotado preferido de todos os tempos.
Antes de sair, olhou para a cama, um olhar de piedade, de despedida. Chega de viver o que passou.
E seguiu na chuva, apesar de ser domingo.

11 comentários:

Gabi Petrucci disse...

Nada melhor do que fazer tudo aquilo que se gosta, mas não fazia porque outro alguém não gostava, assim, só pra formalizar um fim. Depois dá UMA sensação de liberdade, tudo de bom!

Beijos, Crispi!

Dara Bandeira disse...

Nossa, traduziu todos os meu sentimentos!
Eu só sai da cama para ir à padaria, estava chovendo e eu coloquei litros de maquiagem...e eu senti falta da presença, do gesto, do jeito... do ar de um outro alguém

êe, nostalgia.

Beijos e sorrisos, menina Cristina!
Que venha a seguda feira.

Carolinne disse...

Seguir em frente!

Larissa disse...

Chega, chega de viver o que já passou!!!!

É o que eu digo, sempre!
Adorei ;)

;**

Jéssica Trabuco disse...

Chega de viver o que passou... vamos fazer do presente algo marcante *-*
Amei o conto ^^

Lari disse...

Seguir em frente, nem que seja pra fazer de novo. Porque ficar parado não tá com nada!

Luh* disse...

Vamos viver o hoje né! *--*
Café *--*
beijos

Bruno disse...

Me lembrou uma história.
Minha madrinha teve câncer de mama e estava sofrendo todo aquele tratamento terrível. A gente estava meio sem esperança já, mas um belo dia minha mãe chegou em casa dizendo que tinha certeza que ela ficaria bem. A gente perguntou o porquê. E minha mãe: "porque ela foi ao salão fazer as unhas".

(Mas ó, não tô tirando sarro, não. Acho isso bonito, coisas de mulher...)

Rafael disse...

Pois é.

ARCANO disse...

Voce escreve muito bem (:

Bertonie disse...

verdade.
porque passado foi feito pra ficar pra trás etc :)
lindo o conto, hihi