segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Road.

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Tem uma hora que a gente tem que para e tem que decidir qual caminho escolher. A gente fica parado pensando: sigo em frente, enfrento tudo, tento continuar, ou viro a esquerda, vou pra bem longe de você, passo a ter uma outra vida, na qual você não entra, na qual você vira passado, na qual procuro outro alguém (por que não eu mesma?) para o futuro.
Nem seguir em frente nem virar a esquerda será fácil, veja bem. Os dois caminhos são dificeis, tem aquelas pedras etc etc. Nos dois caminhos terei que caminhar passo por passo, vou cansar, vou querer voltar, vou querer sentar na estrada e apenas fingir esquecer que tenho que ir em frente. É difícil essa coisa toda de ter caminhos.


O que eu queria na verdade, presta atenção, o que eu queria mesmo era que você me guiasse. Segurasse a minha mão, para andarmos devagar. Quando estivesse escuro, que você me abraçasse e me dissesse: vai passar. Quando eu quizesse sentar e desistir, você me puxasse para seguir em frente. Queria que você tirasse da minha cabeça a idéia de virar a esquerda, e se eu virasse, que você fosse comigo, para fazer desse um novo caminho.


Mas talvez não seja assim. Talvez eu só tenha mesmo que virar a esquerda, correr correr correr e ver para onde me leva essa estrada. Quem sabe você pega um atalho e me encontra no meio dela. Quem sabe eu descubra que nessa estrada existem coisas lindas e uma vida para viver. Afinal, como diz meu líndissimo  Caio F. Abreu, "(...)  quando você não tem amor, você ainda tem as estradas"

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Esqueça os livros, baby.

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Deu um longo suspiro: o que há mesmo para fazer, além de continuar seguindo em frente? Tudo poderia ser mais bonito ou mais fácil ou até mesmo mais intenso como era nos filmes, músicas. Sempre exigimos demais, queremos fazer da nossa vida uma literatura, queremos imitar aquilo que ficam berrando no nosso ouvido o tempo todo: amor amor amor, mas não é bem assim que acontece, baby. É mais difícil, com menos floreios, com mais decepções e com menos verdades. Ele não volta no dia seguinte, ele não vai te mandar flores. Esquece essa história de cavalo branco ou essa coisa toda de forever, esquece. Esquece essa coisa toda de dizer uma coisa para que ele entenda outra e faça sua vontade. Na maioria das vezes, não vai fazer. Nem voltar. Vai seguir em frente, te pedir para fazer o mesmo, então siga em frente.

Suspirou novamente, teve vontade de chorar e comer chocolate, além de uma preguiça de começar  tudo de novo. Mas, como diria cazuza "Ah, pra que chorar
A vida é bela e cruel, despida, tão desprevenida e exata, que um dia acaba". Ah sim, ela acaba. Tem dias que a vida acaba e recomeça numa só tarde não é mesmo? Bela e Cruel.

Colocou cazuza para tocar. Escreveu algumas palavras, essas que você lê agora, ou quem sabe outras? Queria dizer tudo que estava engasgado na garganta. Queria recomeçar, queria ir junto com o embalo da maré, e mesmo que o mar fosse turbulento e que houvessem tempestades por ora, mergulharia fundo e passaria por tudo isso. Sempre passa. Nem sempre é como queremos ou como vemos nos filmes, livros, músicas e afins. Mas passa.

Mais um suspiro: o que há mesmo de para se fazer, além de continuar sendo protagonista das histórias que ninguém conta?

Ao som de: Ritual, Cazuza. Obrigada, poeta.

domingo, 28 de agosto de 2011

Historinha.

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Essa historinha  não começa com era uma vez e nem termina com felizes para sempre.  Na verdade talvez ela tenha começado com felizes para sempre, pois os começos na maioria são felizes e achamos que duram pra sempre. Enquanto nada  acontecia, tudo seguia aquele velho script: risos a toa, saudades imensas ainda que a ausência durasse pouquíssimo tempo, mãos entrelaçadas no cinema,  domingos inteiros sem sair da cama, aquela sensação de eu-te-amo-nunca-vai-acabar-não-sei-viver-sem-você.  Esse começo de historinhas como essa costumam ser sempre cor-de-rosa e cheia de floreios.

Mas no meio da historinha algo vai se modificando, algo começa a acontecer – algo que tem vários nomes, mas que eu prefiro chamar de vida, pois o que acontece é sempre o mesmo, a vida.  Mas, enfim, algo começa a acontecer – já não são mais tantos risos e sim algumas lágrimas, o pra sempre começa a ser questionado, finais são ensaiados mas falta alguma coisa – coragem talvez?  Medo de ficar sozinha? Restinho de amor que faz acreditar que vale a pena? . Nesse momento da historinha  é quando se sente aquela sensação de fracasso, de que como fomos chegar nesse ponto? Nos amávamos tanto, sei que podemos conseguir, porém não conseguimos, sofro tanto mas quero ser feliz. Essa parte da historinha costuma ser cinza e conturbada.

Então chega a ultima parte desta historinha – tenho que frisar que é desta historinha, pois as historinhas são um ciclo, algumas se repetem, outras surpreendem. Mas a ultima parte dessa historinha é aquela em que acabou de verdade o conto de fadas, aquela em que se costuma tomar muito café ou muita vodka ou os dois, fumar algum cigarro e ter olheiras. Nessa fase a saudade aperta forte, a vontade de ligar é grande, mas não maior que a vontade de voltar ao começo da historinha ou ao momento em que nada acontecia. É sempre difícil, impossível. Essa parte da historinha não tem cor, é a ausência de tudo. Mas como não existem felizes para sempre – até que me provem ao contrário- também não existe triste para sempre, que fique claro.

E mesmo quando a historinha chega na parte negra, preto  e branca, meio dramática, um dia ela volta a ter cor. Ela pode ter uma cor amena, pode ser um monólogo. Ela pode ter novos personagens ou até mesmo os antigos.  Ela nunca começa com era uma vez ou termina com felizes para sempre, o que não quer dizer que possamos ser felizes enquanto ela durar, e a cada dia colorir ela de uma maneira diferente. Quantas historinhas temos escondidas que merecem ser contadas?

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Parágrafo Único


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Eu sei que chove lá fora e que está frio, tempo cinza, cinza e feio, ainda que olhando pela janela do meu quarto tenha o maior sol e calor e céu azul. Janela do meu quarto, eu disse, mas minha janela mostra outra coisa. Não sinto fome, ainda que desesperadamente tenha comido aquele pão que você deixou embrulhadinho no pacote, uns dias atrás. Não tem gosto nenhum. Ou será que tem e eu não consigo sentir? Talvez ainda haja algum gosto nas coisas, alguma cor, quem sabe? Não consigo ver agora: cego-me pela dor, raiva, as palavras duras que me disse sem intervalos nem virgulas nem nada, apenas foi dizendo, elas me deixam cega, com raiva, com vontade de me isolar na minha tempestade e ao mesmo tempo com vontade de me jogar nesse dia de sol e mostrar que eu consigo sim, eu sei que eu consigo, ainda que me doa bastante – vai doer por bastante tempo, eu sei que vai. Ainda que haja amor, é isso será? Não sei, ainda que haja amor o que você deixou aqui o tem esmagado. É uma coisa estranha porque sinto raiva de você e ao mesmo tempo te amo para depois sentir mais raiva justamente porque te amo e as coisas são cinzas assim, e a sua voz me faz chorar e não rir, faz doer – não, não aquela dor boa no estomago, esquece isso, já não tem faz tempo, faz doer de verdade, lá no fundo. Então eu peço mais café, pedi cigarro também, ainda que não goste de fumar, mas eles fazem com que eu não pegue o telefone e te ligue pra cuspir tudo que está aqui dentro e chorar e ficar ainda mais machucada, porque na sua voz existem farpas sendo atiradas todo e todo tempo. Nunca pensei que iria sentir tanta coisa mesmo você dizendo outras, sentir que acabou mesmo querendo que continue mas não querendo também, não que fosse dessa forma, mas sim colorido, está cinza demais, doído e frio. E é assim que as coisas são, vamos seguindo por caminhos cada um no seu, cada um sabendo a falta que o outro faz mas a dor que um tem causado no outro também. Quem sabe a gente aprenda e volte correndo por outro caminho e se encontre em uma esquina qualquer só para dizer o quanto e quanto sentimos falta um do outro, eu sinto, você não? Muito embora agora o que eu sinta é muito maior do que sua falta, é falta do que nunca fomos um para o outro, ou se fomos não consigo mais me lembrar, porque tudo fica cinza e um pouco escuro nessa época. O telefone fica na minha mão, mas não vou ligar, você não liga também, e assim nos afastamos mais, enterremos isso de uma vez,  então eu tomo mais um café e vou fingindo que ta tudo bem tudo bem. Será que é assim que grandes amores se perdem? Por que as pessoas seguem, falam tudo errado, fazem tudo errado e seguem, e depois mais pra frente quando não há mais o que se fazer vem aquela falta e aquela saudade mas já é tarde demais, ou nunca é tarde. Se for pra gente se encontrar a gente se encontra, isso ta escrito em qualquer literatura ou filme ou musica, mas eu não acredito nisso. A gente se perdeu, e se for pra gente se encontrar, a gente tem que querer se encontrar, tem que querer passar por cima, se não quiser, mesmo que a gente tenha que se encontrar, não iremos nos permitir. Tomo mais um café, é bom respirar. Ta cinza e frio, mas ta sol la fora, então quem sabe?

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Amanhã

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Não fosse o gosto do cigarro, dessa vodka ruim e desse café amargo, o que você deixou foi muito pior. É amargo sabe? É amargo ter que ouvir essas coisas, essa ressaca é muito pior. Sim, sou tua, choro, descabelo, vou pra nunca mais voltar mas volto. Ou voltava.
É que sabe, tem o dia de hoje, o dia de hoje que eu te chamo, te espero, que eu choro, que você sai, mas tem o dia de amanhã. Cuidado com esse dia, porque ás vezes ele tarda a chegar, mas ele chega.
Amanhã eu em levanto, vou e não volto. Amanhã eu tiro todo esse gosto amargo da boca, porque tem muita coisa doce por aí. É baby, a noite pode ser longa, posso até ficar com essa cara de choro e implorar por você, mas amanhã chega.
Baby, aproveita e seca minhas lágrimas hoje. Pega na minha mão, peça desculpas, fica comigo. Não vá embora, não diga que quem sabe volta amanhã, porque quem sabe amanhã eu não esteja mais aqui.

domingo, 12 de junho de 2011

Urgência


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É que hoje acordei com uma urgência de ti sabe? Urgência de te ouvir cantando desafinado com sua voz rouca, enquanto dirige para um lugar qualquer. Urgência dessa mesma voz rouca – agora nem um pouco desafinada – me falando besteiras no ouvido, me fazendo rir enquanto digo te amo, te amo tanto! e te beijo e te agarro e você me olha no final,  e diz eu te quero, eu te preciso, com uma certa urgência. 

Se lembra quando tínhamos essa urgência um do outro? De quando ligar no meio da tarde pra ouvir a minha voz era urgente para você. De quando buscar o teu cheiro naquela roupa perdida no canto da sala era urgente pra mim. De quando era urgente para nós nos beijarmos após um longo longo dia que mais parecia uma eternidade. Pois essa urgência foi ficando morna, morninha, foi passando, virou dia-a-dia-só-mais-um-beijo-frio-numa-noite-mais-fria.

Só que hoje acordei com essa urgência. Urgência de você- daquele você que também tinha urgência de mim. Se eu te ligar agora e disser eu-te-amo-te-quero-agora-vem-pra-cá você viria? Ou iria responder apenas tudo-bem-linda-falta-pouco. Pouco é muito, é urgente, você não vê? Urgente de nós. É uma certa urgência, vem me tirar dessa solidão, vem em dizer sim baby, vem me arrancar daqui, vem me responder te-quero-agora-to-indo-te-amo. Com urgência.

terça-feira, 17 de maio de 2011

É tempo.

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E eu não podia acreditar. Vinte anos depois, vinte anos apenas com notícias vagas- algum comentário de alguém, Casamento? Outro país? Puxa parecia que você nunca tinha existido – estamos aqui, de frente um para o outro, por acaso. O acaso, que coisa mais estranha não? Olho para você mas não sei quem vejo. Algumas rugas, bem menos cabelos, um olhar cansado. Você deve estar me estudando também.
Não falamos nada, não sei por quanto tempo. Vinte anos! É tempo demais. Onde foi que nos perdemos desse jeito?

- Éramos jovens demais. Quantos anos você tinha? 16? Eu tinha 20. Jovens demais. 

Sua voz me lembra um pouco a que eu gostava tanto ouvir. Aquela voz que me dizia coisas com a palavra amor e para sempre. Mas éramos jovens demais, dizia você neste momento.
Quem é você? 

- O que estamos fazendo aqui? É engraçado. Não acho que éramos jovens demais. Apenas nos perdermos. Eu amava você. Amor não tem idade, nem fronteiras.

Você engoliu a seco. O que passava na sua cabeça? Na minha passava um filme de nós dois, algo distante, algo que guardava no fundo da minha gaveta mais empoeirada. Depois eu sentia algo como amargura. Porque você foi embora? Porque seguiu seus pais? Não poderia ficar? Eu não era o suficiente para arriscar.
Éramos jovens demais, foi o que você disse. E se foi. Tanto tempo depois, era o que você continuava dizendo.

- Eu... Não sei o que dizer. É que

- Não diga então – falei. – Deixa assim. Vinte anos, é tempo.

- Não quero que fique nenhuma amargura. Pensei em você, acredite. Me arrependi. Quis voltar.
 
- Mas não voltou. 

- Estou aqui.

- Uma coincidência.

O ar estava tão denso, pesado. Eram tantas coisas a serem ditas. O quanto chorei, o quanto quis te ter, não entendi, me revoltei, aceitei, senti sua falta novamente. Você estava sempre em mim de alguma forma, adormecido. E agora nesse café brega, você está aqui, na minha frente, e eu não sei o que dizer.

- Não fala assim – sua voz era lenta, quase letárgica.

Apenas olhei, bem no fundo daqueles olhos azuis-quase-verdes que tanto me atormentaram durante anos. Olhei, levantei e saí. Você apenas me acompanhou olhando em silêncio.
Não valia a pena. Deixei com você ali o passado, as frustrações, um pingo de amor que ainda me restava e um café pela metade. Não paguei o café. Você que pagasse afinal. Você que pagasse tudo.