quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

(D)escrevo

Madrugadas pensantes

Descrevo
Escrevo na angústia de talvez não me lembrar mais de como foi
Desgosto
Do teu gosto não estar mais aqui se misturando ao meu
Desespero
Espero por poder te tocar de novo e de novo e de novo como se fôssemos um só
Descaso
Do acaso que nos encontramos e por acaso partimos de volta para nosso caminho
Desencontro
Me encontro na lua, porque sei que é a mesma lua para mim e para ti, aonde quer que você esteja agora
Desconforto
Me conforto com o pensamento do que passou, ao passo de que cada passo meu é para mais longe do teu
Descompasso
O compasso da música calma acelerava meu coração, a tua mão na minha mão, a areia e o mar, a-mar, ar. Falta de ar com seu suspiro mesclado ao meu gemido
Desalinho
Nessa bagunça de nossas pernas e nas coisas que perdi pelo escuro da noite, só me lembro do teu sorriso alinhado numa imperfeição tão detalhadamente perfeita que sorri agora
Desapego
E fico apenas com o que foi bom. Quantas paixões cabem numa noite? Quantas vidas se vive em poucas horas? E o que vem depois? Uma vida inteira. Pego sua lembrança e o resto se esvai
E vai
Vai
Porque a vida, meu caro

É pra ser desbravada. E destemida. Não temida.

2 comentários:

Patricia Romanato disse...

Estava me sentindo assim ontem. Ficar com as lembranças e seguir.

Beijocas

Bell Ferreira disse...

Que delícia, que ritmo bom de acompanhar. Amei! Adoro essa brincadeira com as palavras que você faz. Sabe que sou sua fã, né? rsrs
<3