segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Livros, livros.

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Já fui uma princesa atrapalhada nas mãos de Meg Cabot. Conheci um universo mágico, participei de muitas aventuras, e esperei minha carta para Hogwarts graças a J.K. Rowlling. Caio Fernando Abreu e Clarice Lispector acompanham os mais íntimos dos meus sentimentos: descrevem aquilo que sinto na alma, me inspiram, me acompanham – ou será que eu acompanho eles?


Tive amores de tirar o folego, descritos por Nicholas Sparks. Falei verdades, fui até um pouco profana, porém muito verdadeira, com as palaras de Tati Bernardi. Martha Medeiros me mostrou como é gostoso nosso cotidiano, e que surtar de vez em quando é bom, muito bom. Agatha Christie me fez desvendar crimes espetaculares. Drummond, Meireles, Shakespeare, Hilst, Jabor e tantos outros me emocionam, me fazem viajar, reletir, ter raiva, sonhar. Através deles pude ter muitas vidas, me aventurar em várias histórias, morrer e reviver tantas vezes.


Pobre daquele que acha que ler é chato. Tenho pena daqueles que ainda não mergulharam na leitura, que não sabe prazer de ter em mãos aquele livro tão esperado, de sentir o cheiro - sim, eu adoro os cheiros do meus livros, de devorar as páginas. Não sabem o que estão perdendo.




Obs. Hoje começa a semana nacional da leitura, dia 29 é o dia nacional do livro. Espero que as pessoas se despertem mais para o prazer de uma boa leitura.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

A Caixa.

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Mania de guardar coisas numa caixa. Se é que pode chamar de ‘coisas’ as mais profundas lembranças que ficam ali. Aquela caixa de papelão, já meio desbotada e amassada – também faz tanto tempo não é mesmo? É como se pelas paredes de papelão não pudessem vazar nenhuma das lembranças aprisionadas.. Como se elas não existissem, enquanto adormeciam ali dentro. Aqui dentro também.


Volta e meia abria a caixa. Certa vez foi no meio da noite, quando um sonho terrível veio e fez pensar: esqueceu, esqueceu de tudo, tem outra vida já. Então a caixa teve que ser aberta, para ver você ali parado, com seu sorriso congelado, olhando para a câmera. Por que será que você sorria? Talvez fosse o momento. Mas já estava desbotado.


Outra vez a vontade de abrir a caixa veio junto com uma vontade imensa de chorar. Dessa vez não foi a foto que teve que ser livre, mas as palavras que você colocou no papel. Não foram lidas, e sim devoradas de uma vez. Acalmou, acalmou. Novamente foram para o fundo da caixa, guardada no fundo do armário.


Ali dentro também tinha bilhetes de cinema, uma folha seca, um guardanapo de um bar, sabonete de um hotel nos Alpes (mentira, um hotel de logo ali, mas a imaginação que você tinha ia longe). Coisas e mais coisas, simples, feias, bonitas, mas todas com algum significado, uma história.


Todas na caixa. Tinha mania de guardar essas coisas. Se é que se pode chamar de coisas. Foi um tempo bom, nada precisava ficar guardado por paredes de papelão barato. Suspirou, tapou a caixa. Guardou você.


(até que a caixa necessitasse ser aberta de novo. Cada vez com menos freqüência, observava).

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Secou.

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Então um dia ela acordou, olhou na janela e pensou: eu não te amo mais. Não pode ser amor. Eu não sei o que é amor, ninguém sabe ao certo - pensou - mas não há de ser uma coisa boa? Pensava assim: amor, amor, deve ter acabado. Mas tu não me deixas ir assim como eu te prendo a mim, ao desejo, ao ciúme, não é amor. Deve ser apego. Somos apegados um ao outro pelo sentimento que cultivamos um dia, mas que secou. Só que a gente insiste em molhar, pena que ele não brota mais. Nem ao menos sequer sobrou uma semente, a terra não está mais fértil, mas não queremos arrancar a coisa seca que ainda tem alguma raíz ali. Arrancar as raízes dói. Estremeceu quando pensou em arrancar as raízes. Em deixar a terra se recuperar, sozinha, sem nada. Porque algo dentro dela que a gente geralmente chama de esperança, mas cabe também chamar de desespero, algo dentro dela simplesmente queria continuar, queria pensar nas épocas de primavera florida, colorida, bonita. Como doía ver tudo tão cinza. Então essa (des)esperança gritava dentro dela quando pensava em matar as raízes.
Por que né? Por que apego, por que amor? Podia ser tudo tão simples e tão bonito. Não te amava mais. Você de certo também não, embora dizia o quanto e quanto amava. Mas onde está esse amor, que não via? Onde você colocou que eu não está aqui? Não sentia, não via, não cabia mais, pensava ela. Respirou fundo: era hora de mexer na terra.




"Amor não resiste a tudo, não. Amor é jardim. Amor enche de erva daninha."
Caio F. Abreu

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

(i)Real

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Sabe, tem aquele dos sonhos. O loiro alto de olhos azuis  (ou moreno baixo de olhos cor de mel, tanto faz, o sonho é seu) que ouve as mesmas músicas que você, que adora um café sem açúcar e que manda mensagens durante o dia, só pra dizer que sente sua falta. Ele não é desligado, se veste tão bem, e é sempre tão cheiroso! Nada de futebol e cervejinha no fim de semana: te leva ao teatro e para jantar num restaurante que serve o melhor vinho do mundo. Ele lê livros, os mesmos autores que você! Ele toca violão, canta no teu ouvido e serve café na cama e te deixa comer um pote inteirinho de nutella quando está na TPM.  

Ele é dos sonhos. Você nunca está satisfeita com os outros, porque persegue sempre esse dos sonhos. Aquele do trabalho é até bonitinho, mas baixo demais. Aquele da sua aula? Muito bobo parece, sem falar que já ouviu ele cantarolar um sertanejo, sem condições! Logo você tão culta e intelectual, que gosta de Almodóvar e Nietzshe. Você é a mulher dos sonhos, e quer o homem dos sonhos.

Então acorda! Sonhar é bom, muito bom, mas esse príncipe encantado existe mesmo? E se existir, vai te fazer feliz? Não! Porque o bom não é ter aquele dos sonhos, mas aquele que é real. Um restaurante chique de vez em quando, coisa maravilhosa, mas como é bom comer um cachorro quente ali na esquina e dar boas risadas. Futebol é chato, mas em uma boa companhia, porque não? Ele nem sempre está com a melhor roupa, mas como fica lindo de bermudas e chinelos. E pode não ser o mais alto e forte do mundo, mas não existe coisa que te deixa mais segura – e boba- do que aquele sorriso.

Ele tem milhares de defeitos que te chateiam e que enchem o saco, é bem verdade. Mas e daí? Você também tem. E você sabe que por trás dessa aparência de intelectual e Almodóvar existe alguém que usa camisetas velhas para ficar em casa e assiste comédias clichês comendo brigadeiro direto da panela. E são essas coisas que talvez te façam a mulher dos sonhos reais de alguém, porque o que é verdadeiro é bem mais bonito.

Que tal olhar para o lado hoje e perceber que  viver o imperfeito ás vezes é muito melhor? Os sapos muitas vezes são mais interessantes e divertidos que os príncipes.



(obs. eu amo meu sapo)

sábado, 15 de outubro de 2011

Ninguém morre de amor.

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Mas parece que a gente morre. Lá no auge da nossa tristeza, quando o fim do amor se anuncia - ou quando é anunciado em palavras duras pra gente - parece que a gente pode morrer de amor sim. Eu já achei que morreria. Lá, na solidão do meu quarto, ouvindo cazuza e tomando meu café, achei que o buraco do meu estômago nunca iria parar de doer. Achei que nunca ia conseguir parar de chorar e que essa tristeza da perda de um amor jamais teria fim.

Só que tem, é bem verdade. Em um certa hora, perdidos no meio de lágrimas e dramas, decidimos abrir a janela da nossa vida e deixar essa dor ir embora. Não vou mentir dizendo que é coisa rápida, que ela não volta nunca mais. Não. Sempre tem aqueles momentos em que a dor do amor-que-parece-que-mata volta com tudo, bem quando não estamos preparados. Se não foi a gente que pois um ponto final então, é pior. Se vemos a pessoa seguindo a vida, com a janela aberta e com o sol entrando enquanto estamos lidando com a nossa própria tempestade, parece que é mil vezes pior.


Sabe, abra a janela, deixe que a tempestade vire chuva de verão, depois deixe que tudo vire sol. Conviva com essa dor toda, sabendo que ele não mata, que ela passa, que você sobreviverá e talvez passará por tudo isso novamente - talvez não - afinal, quem pode prever essa coisa toda que é boa e dói ao mesmo tempo, que eles chamam de amor?



sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Conversa de Botequim

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Estavam as três sentadas no botequim, queixosas. Numa sexta-feira a noite nada melhor que tomar umas bebidas docinhas e reclamar um pouco sobre aquilo que amavam muito, mas que ao mesmo tempo era a causa de suas insônias: seus relacionamentos. Já dizia nosso estimado Caio F, “amor, amor: não tem besteira maior”. E é bem verdade, elas concordavam.
Não que amor não fosse bom- logo uma disse, ruim é o rumo que tomam as coisas.
Porque no começo tudo é maravilha, eles se esforçam, querem a conquista, são os mais fofos do mundo. Sabem ouvir, sabem fazer as pequenas coisas, mas depois se acomodam, porque já tem nosso amor, e como somos loucas, intensas e demonstramos isso para eles, logo acham que podem ficar tranqüilos que nunca vai acabar.
As outras duas tomaram mais um gole, concordando. Quem sabe a culpa não é um pouco nossa também? Disse a outra. Porque a gente fala demais. Cuida demais. Demonstra demais. Já dizia minha avó, homem gosta de ser pisado, maltratado, assim eles dão valor.
Uma delas bateu na mesa e pediu tequila, não queria mais nada docinho, já estava ácida. Pior ainda são aqueles que acham que temos que fazer o papel de mãe! Disse ela, entre o sal e o limão. Chegam e espalham tudo, jogam tudo, querem comida na mesa e depois a louça limpa, e depois querem ir direto para a “sobremesa”, sem nenhum agrado. Aliás, eles que querem o carinho, ser ouvidos, querem tudo mastigado. Isso cansa!
As outras duas pediram tequila. O único homem permitido naquela mesa na noite de sexta, era o estimado José Cuervo, mas com certo receio, afinal esse também dava dor de cabeça.
Agradar uma mulher é tão fácil! Falou a mais quieta, que já começava a ficar falante. Só queremos os detalhes, as coisas pequenas, que preparem o jantar ás vezes, que a gente chegue e as coisas estejam no lugar, queremos palavras bonitas, atenção, chocolate na TPM e ouvir que nossa dieta está fazendo efeito. Mas eles preferem elogiar as “amigas” –enfatizou assim mesmo, cheio de aspas descoordenadas- as “amigas” que a gente sabe muito bem quem são.
Silêncio tenso no ar. Cada qual lembrando daquelas “”””amigas”””, aquelas mais magras e cheias de boas intenções (sentiu a ironia?).
Mais um gole e uma explosão de reclamação. Achar defeitos nas amigas, quer coisa melhor? Reclamaram mais um pouco sobre seus homens também, e sua falta de maturidade, seu desleixo, sobre estar cansada e não saber se é isso que querem, sobre o amigo que está dando atenção demais. Mas depois ele vai ficar acomodado também, lembrou uma delas. Afinal, são todos iguais. Todas concordaram. E quer saber? Beberam mais um gole e foram dançar, com seus melhores (e mais doloridos) sapatos, com suas roupas novas e o mais importante: quilos a menos de stress no corpo, afinal, nada melhor que um boteco-terapia com as amigas que entendem bem o que você pensa, para se renovar.






(obrigada amigas que me contam seus problemas e me inspiram, e também que  ouvem os meus, seja no boteco ou não)

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Louco, quem?

Foto por: mim hehe


Oi, eu gosto de ir ao cinema sozinha. Sim, sozinha, só eu, minha coca e guloseimas - é óbvio. Isso deve parecer estranho né? Talvez você tenha pensado igual a mulher que sentou do meu lado no dia que eu fui ver Mulher Invisível - que eu sou uma solitária sem amigos. Uma forever alone, para os mais antenadinhos. Mas não, eu só gosto de ir no cinema sozinha.


Eu gosto de usar shampoo do bob esponja também. E escovar o dente com pasta Tandy. Só escolho o canudo vermelho ou rosa, se tiver. Detesto estacionamentos e nunca vou dominar a arte de estacionar bem o carro. Canto sozinha na rua e fico muito sem graça quando alguém me pega. Gosto de pizza e pastel frio da sobra de ontem.


Fora tantas outras coisas esquisitas que eu faço e nem percebo. Freud talvez quisesse achar um significado nessas minhas manias, talvez ele fosse querer me catalogar em alguma classe dos não-normais-da-sociedade. Mas aí eu me pergunto: O que é ser normal? Ahá, te peguei nessa né? Aposto que lendo as minhas esquisitices você ficou pensando nas tuas. E se achou esquisito demais, talvez. Ficou com medinho que Freud bata na sua porta é?


Pois eu digo, seu Freud: pode me chamar de louca, mas não existe pessoa normal. Todo mundo tem uma mania obscura que denuncia uma loucurinha. E sabe o que mais? ser normal, seguir tudo dentro dos padrões, não escovar o dente com Tandy ou tomar coca-cola no canudinho branco deve ser muito chato. E se você leu isso tudo, e não achou nenhuma mania/esquisitice/compulsão/whatahell pra compartilhar... vou ali ligar pro amigo Freud, porque você deve ser meio biruta das idéias.