sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Conversa de Botequim

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Estavam as três sentadas no botequim, queixosas. Numa sexta-feira a noite nada melhor que tomar umas bebidas docinhas e reclamar um pouco sobre aquilo que amavam muito, mas que ao mesmo tempo era a causa de suas insônias: seus relacionamentos. Já dizia nosso estimado Caio F, “amor, amor: não tem besteira maior”. E é bem verdade, elas concordavam.
Não que amor não fosse bom- logo uma disse, ruim é o rumo que tomam as coisas.
Porque no começo tudo é maravilha, eles se esforçam, querem a conquista, são os mais fofos do mundo. Sabem ouvir, sabem fazer as pequenas coisas, mas depois se acomodam, porque já tem nosso amor, e como somos loucas, intensas e demonstramos isso para eles, logo acham que podem ficar tranqüilos que nunca vai acabar.
As outras duas tomaram mais um gole, concordando. Quem sabe a culpa não é um pouco nossa também? Disse a outra. Porque a gente fala demais. Cuida demais. Demonstra demais. Já dizia minha avó, homem gosta de ser pisado, maltratado, assim eles dão valor.
Uma delas bateu na mesa e pediu tequila, não queria mais nada docinho, já estava ácida. Pior ainda são aqueles que acham que temos que fazer o papel de mãe! Disse ela, entre o sal e o limão. Chegam e espalham tudo, jogam tudo, querem comida na mesa e depois a louça limpa, e depois querem ir direto para a “sobremesa”, sem nenhum agrado. Aliás, eles que querem o carinho, ser ouvidos, querem tudo mastigado. Isso cansa!
As outras duas pediram tequila. O único homem permitido naquela mesa na noite de sexta, era o estimado José Cuervo, mas com certo receio, afinal esse também dava dor de cabeça.
Agradar uma mulher é tão fácil! Falou a mais quieta, que já começava a ficar falante. Só queremos os detalhes, as coisas pequenas, que preparem o jantar ás vezes, que a gente chegue e as coisas estejam no lugar, queremos palavras bonitas, atenção, chocolate na TPM e ouvir que nossa dieta está fazendo efeito. Mas eles preferem elogiar as “amigas” –enfatizou assim mesmo, cheio de aspas descoordenadas- as “amigas” que a gente sabe muito bem quem são.
Silêncio tenso no ar. Cada qual lembrando daquelas “”””amigas”””, aquelas mais magras e cheias de boas intenções (sentiu a ironia?).
Mais um gole e uma explosão de reclamação. Achar defeitos nas amigas, quer coisa melhor? Reclamaram mais um pouco sobre seus homens também, e sua falta de maturidade, seu desleixo, sobre estar cansada e não saber se é isso que querem, sobre o amigo que está dando atenção demais. Mas depois ele vai ficar acomodado também, lembrou uma delas. Afinal, são todos iguais. Todas concordaram. E quer saber? Beberam mais um gole e foram dançar, com seus melhores (e mais doloridos) sapatos, com suas roupas novas e o mais importante: quilos a menos de stress no corpo, afinal, nada melhor que um boteco-terapia com as amigas que entendem bem o que você pensa, para se renovar.






(obrigada amigas que me contam seus problemas e me inspiram, e também que  ouvem os meus, seja no boteco ou não)

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Louco, quem?

Foto por: mim hehe


Oi, eu gosto de ir ao cinema sozinha. Sim, sozinha, só eu, minha coca e guloseimas - é óbvio. Isso deve parecer estranho né? Talvez você tenha pensado igual a mulher que sentou do meu lado no dia que eu fui ver Mulher Invisível - que eu sou uma solitária sem amigos. Uma forever alone, para os mais antenadinhos. Mas não, eu só gosto de ir no cinema sozinha.


Eu gosto de usar shampoo do bob esponja também. E escovar o dente com pasta Tandy. Só escolho o canudo vermelho ou rosa, se tiver. Detesto estacionamentos e nunca vou dominar a arte de estacionar bem o carro. Canto sozinha na rua e fico muito sem graça quando alguém me pega. Gosto de pizza e pastel frio da sobra de ontem.


Fora tantas outras coisas esquisitas que eu faço e nem percebo. Freud talvez quisesse achar um significado nessas minhas manias, talvez ele fosse querer me catalogar em alguma classe dos não-normais-da-sociedade. Mas aí eu me pergunto: O que é ser normal? Ahá, te peguei nessa né? Aposto que lendo as minhas esquisitices você ficou pensando nas tuas. E se achou esquisito demais, talvez. Ficou com medinho que Freud bata na sua porta é?


Pois eu digo, seu Freud: pode me chamar de louca, mas não existe pessoa normal. Todo mundo tem uma mania obscura que denuncia uma loucurinha. E sabe o que mais? ser normal, seguir tudo dentro dos padrões, não escovar o dente com Tandy ou tomar coca-cola no canudinho branco deve ser muito chato. E se você leu isso tudo, e não achou nenhuma mania/esquisitice/compulsão/whatahell pra compartilhar... vou ali ligar pro amigo Freud, porque você deve ser meio biruta das idéias.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Velha Infância

Batutinhas, rs



As tardes eram longas, e nelas cabiam sonecas, esconde-esconde, histórias intermináveis da Barbie, jogos de super-nintendo, Nescau e bolo da vó enquanto passava Querida Encolhi As Crianças na sessão da tarde. Duas cadeiras e um lençol viravam uma cabana no meio da selva, com perigos que só eu e meus primos conseguíamos superar. O beliche velho do quarto de visitas era o mais aterrorizante trem fantasma, mas éramos todos corajosos e valentes. A horta da vó? Uma floresta gigante, por vezes também virava um restaurante cheio de ingredientes especiais. Nem os pobres cachorros escapavam, coitados, e viravam alunos da escolinha feita lá no meio do quintal.

Joelhos eram ralados, e como ardia passar Methiolate, viu? A vó tão querida e cheia de abraços gostosos também colocava de castigo e sabia ser muito brava. Nada de brigas na casa dela, senão eram umas palmadas certas. Um real era motivo de alegria e muitos doces na bomboniere da esquina, dava até pra comprar um cascão com duas bolas de sorvete e cobertura!  Os meninos e meninas da rua eram inimigos mortais, embora passassem a tarde toda brincando juntos. Como era legal provocá-los e entrar correndo na casa da vó, e quando estivesse protegida mostrar a língua e fazer careta!

Ah, doce infância. Bom relembrar os dias amenos e longos, onde a imaginação e diversão reinavam. Agora, parece que essa coisa de infância anda meio perdida por aí, com essa coisa toda de internet, vídeo-game e brinquedos de última geração – que brincam sozinhos. Eu não tinha celular. Minha internet era discada, e podia usar meia hora por dia. Aliás, me divertia mais criando quadros no paint e vendendo para o Japão do que entrando em sites, ah não ser é claro, que fosse o da turma da Monica, afinal meu splash precisava de todo o cuidado.

Mas eu sei, sei mesmo que no meio de tantas crianças Hi-tech que tem por aí, ainda existem aquelas que são essencialmente crianças. Que se divertem com pouco, mesmo tendo muito. Que deixam a imaginação fluir, que não tem maldade precoce, que correm e ralam os joelhos (mas que não sentem arder o methiolate, santa tecnologia). É bom não deixar as coisas boas se perderem. Viver cada fase ao seu tempo, porque ter pressa de ser adulto? A infância é a melhor época da vida, e eu relembro com carinho.

Feliz dia das crianças para todos nós, afinal quem viveu uma bela infância sempre guarda um pouquinho de criança dentro de si, tem coisa melhor?

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Dia do mau humor.

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Ser feliz é uma coisa muito linda, onde você sai de casa glamurosa mesmo estando com a roupa mais simples do mundo, o dia está ensolarado, todos os sinais estão verdes para você e todas as pessoas são educadas e sorriem. Mas eis que no meio da semana você acorda e se sente em plena segunda-feira, se atrasa, está chovendo, não acha aquela roupa que precisa e tem que ir de ônibus porque não adianta os sinais estarem verdes se você não tem carro.


É o dia do mau humor. Ok, ninguém gosta de ficar perto de uma pessoa mau humorada e reclamona, ainda mais quando estamos nos dias de céu azul. Mas, eu defendo o dia do mau humor. Quando a gente acorda e tudo que queria era estar dormindo, quando estamos de tpm ou qualquer tensão pré alguma coisa que nos deixa com os nervos abalados, temos o direito de reclamar sim! Nem todos os dias são de céu azul, podemos ter nosso dia de chuva também.


No dia do mau humor, podemos comer a comida direto da panela, não lavar a louça, andar de pijamas velhos pela casa. Não pentear os cabelos, criticar a novela, falar mal daquela
piriguete menina que não gostamos, socar o travesseiro - essa é uma ótima terapia - e achar que o mundo é muito chato e querer se mudar para Vênus (só ser do contra, pois todo mundo quer se mudar para marte).


É bom ter um dia de mau humor. Esgotar tuda aquela nuvenzinha de chuva que cisma em estar somente na nossa cabeça. Soltar os raios e trovões e tudo mais. E depois dormir, acordar e se preparar para o dia de sol e de sinais verdes. Porque mau humor é bom sim. Mas, convenhamos, bom humor é muito melhor.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Amor e outras drogas.

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Você pode ser homem, mulher, hétero, gay, bi - whatever, pois dessa droga você vai provar. O ministério da saúde nos adverte tanto em seus remédios com tarjas pretas, vermelhas e afins todos os efeitos colaterais do que vamos consumir, mas quem nos adverte sobre essa droga tão complicada chamada amor?


Ah sim, o amor é uma droga. E tem grandes efeitos ás vezes bons, ás vezes ruins, ás vezes dilacerantes, ás vezes inusitados ou estonteantes, ou todos juntos. É difícil saber quando ficamos viciados nessa droga. De repente estamos andando na rua, totalmente reabilitados, lindos, sem nenhuma intenção de experimentar novamente. E então, vem aquele ser que abala todas as nossas estruturas. E ele aparece, assim, sem mais nem menos, e te convida para uma recaída. Te oferece amor assim, sem nenhuma receita, nenhum aviso, nada.


Quem já teve grandes surtos com a droga do amor talvez não aceite mais uma dose. Talvez aceite aos pouquinhos, um comprimido por dia, devagarinho, sem querer se viciar. Mas o amor, ah ele tem um gosto doce no início. E faz você querer mais e mais e mais. Se você não tiver um auto-controle muito bom acaba ficando muito viciado, tomando as grandes - e perigosas - dosagens.


Grandes dosagens, essa sim acabam com você. Com vocês dois. Amor demais pode ser auto-destrutivo. E depois, a dor da perda de amor, parece que remédio nenhum pode tratar. Que nenhum médico pode curar. Mas tem remédio, uma droga poderosa chamada tempo. É aquele velho clichê, só o tempo cura tudo. Parece difícil de acreditar, algumas pessoas precisam de muitas doses de tempo, mas ele cura.
Amor vicia. Amor é uma droga. Mas não de todo ruim, só temos que ter cuidado e tomar a dose certa de cada dia. Se preparar para efeitos colaterais ruins, mas esperar e aproveitar ao máximo todos os efeitos bons. Amor da medo. Mas que graça tem não enfrentarmos os grandes medos da nossa vida?


@Criispi acha que os melhores remédios da vida são amor e Tylenol.


obs. Texto do meu outro blog que não existe mais :(
obs2. Eu amo o filme que me deu a idéia do título.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Para não dizer que não falei das flores


Você entrou no meu mundo. Como em Alice no País das Maravilhas, aqui eu fico gigante, pequena, me perco, me encontro, cruzo os caminhos que eu quiser. Não tem gato falante nem chapeleiro maluco, mas tem tudo que eu crio e dou asas. Por muitas vezes, falo de amor aqui. Conto histórias de começo, fim, dos meios. Histórias que não pertencem a mim, mas sim coisas que ouço, que vejo, que contam por aí, então eu crio,  imagino e conto para quem quiser ouvi-las.

Quem dera tivesse vivido tudo isso. Tampouco vivi metade, então por isso gosto tanto de dizer e dizer, de imaginar. Aqui posso ser muitas, de muitas maneiras, posso ser ele, ela, posso ter muitas vidas. E o mais importante: posso falar o que eu quiser sobre o que quiser, do jeito que bem entender. Fico feliz  toda vez que alguém me diz o quanto gostou. Fico muito contente toda vez que alguém fala: Nossa, parece que você fez aquele texto pra mim, sei bem como  é. Por essas que eu continuo aqui, desde 2007. Mesmo com vontade de berrar de vez em quando  “Cortem as cabeças” eu prefiro é continuar contando minhas aventuras e histórias por aí.  


"O escritor é uma das criaturas mais neuróticas que existem: ele não sabe viver ao vivo, ele vive através de reflexos, espelhos, imagens, palavras. O não-real, o não palpável. Você me dizia "que diferença entre você e um livro seu". Eu não sou o que escrevo ou sim, mas de muitos jeitos. Alguns estranhos." Caio Fernando Abreu.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Três palavras mágicas.

Querido John.


Ao contrário do que vocês pensam, não somos tão complicadas assim. Nenhum bicho de sete cabeças, pode acreditar. É só  prestar um pouquinho de atenção, ter um pouquinho mais de cuidado, que tudo fica tão simples. Aliás, três palavras muito importantes essas: atenção, simples e cuidado.

Fiquem atentos: Queremos atenção. Somos mulheres que acordam cedo, trabalham, malham, fazem dietas, se preocupam com a aparência e com os problemas da casa ao mesmo tempo que temos que nos preocupar com vocês, com o carinho que temos que dar para vocês, com o ciúme que temos de vocês e queremos disfarçar, com o amor que temos por vocês. E queremos retribuição. Queremos elogios, ah sim, queremos que vocês reparem no nosso cabelo cortado, queremos que vocês reparem no mimo que preparamos para te agradar, queridos homens. Queremos sim chegar em casa e receber mais atenção que a televisão da sala. Nós te damos atenção, nós ouvimos os seus problemas, opinamos, tomamos causa. Mas nós também merecemos uma retribuição. E quando eu falo retribuição, amigo, eu quero dizer nas pequenas coisas. Se interessar pelo nosso dia, querer ouvir nossos problemas também. Pode acreditar, nosso mundo se resume em muito mais do que saber qual é a tendência da última estação. É bom, é muito bom poder compartilhar as pequenas coisas com quem gostamos, saber que somos especiais mesmo para alguém, não só em certas horas, mas em todos os momentos.

É simples. Muito simples, meu caro. E venho aqui com um bom clichê: é na simplicidade que estão as melhores coisas, as maiores alegrias. Óbvio que coisas sofisticadas são boas, não vamos ser radicais. Mas as coisas simples... ah elas são especiais, mágicas. Uma mensagem de madrugada para dizer que sente nossa falta. Um elogio, desprendido no meio do nada. Um presentinho baratinho da ultima viagem que você foi, mas que mostra que se lembrou. Aquela fotografia pendurada no teu quarto, aquele bilhete que escondeu na minha carteira. Atitudes simples, amigo, essas marcam. Não tente inventar, não seja artificial. Simplicidade, querido, queremos isso.

E o cuidado? Aqui, falo de dois cuidados. Primeiro: gostamos de cuidar, mas queremos ser cuidadas também. Ah mulheres, como sofremos, somos dramáticas, amamos demais, vemos filmes românticos demais, lemos demais, projetamos demais. Sim, culpa nossa, culpa da música pop, do Nichollas Sparks e da novela das nove. Mas somos assim. E gostamos da sensação de ser cuidadas, defendidas, amadas e tudo mais. Queremos o pacote completo. Nada de meio termo, entende? Porque nos doamos por inteiras.  E o outro cuidado? Esse outro cuidado é o cuidado que vocês tem que ter, mais para uma precaução:  sempre vai ter alguém que nos ache interessante, que gostariam de ser especial para nós. Alguém que quer cuidar, ser simples e dar atenção. Vocês podem achar que não, que estaremos sempre e sempre insistindo e persistindo, mas não é assim. Então, cuidem, demonstrem, não deixem para depois.