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'O tempo não para' - Cazuza |
A gente nunca percebe que a vida passa tão
depressa. Tudo é tão efêmero, cada dia a mais é um dia a menos meu bem, e nessa
de não perceber a vida voando ao nosso redor, ás vezes fazemos tudo errado sem
nos dar conta. Esse momento, cada segundo, cada minuto, já passou, já não cabe
mais. Presente não existe, porque em um instante ele já é passado, e o que
passou não volta. Bem na verdade o passado, presente e futuro não existem –
tudo se une numa coisa só. E quanta coisa a gente perde por besteiras, por se
apegar ao que não devemos, por medo? Abraça sua loucura antes que seja tarde
demais, disse o poeta, e quantas dessas a gente deixa de abraçar por burrices?
É Clarice, tu tens razão: vida não é de se brincar porque em pleno dia
se morre. Mas a gente não percebe e vai brincando com diversas coisas – levam o
sentimento, o amor, a paz, as virtudes, tudo na brincadeira. Vão levando assim,
vivendo vagamente, superficialmente, sem perceber que um dia –puf- acabou.
Ainda ontem eu comia bolinho de chuvas na casa da minha avó, agora, sou eu quem
faço os meus próprios. Ainda ontem eu reclamava da vida dura de estudante do
ensino médio, agora sei bem o que é uma vida dura.
Quantas palavras deixamos de dizer, quantas
insanidades não cometemos, por medo do amanhã? Mas o amanhã, meus caros, já
passou. Passa depressa. É engraçada, aliás, essa teoria do tempo: ele se
arrasta tanto quando esperamos por algo – ou alguém – e passa tão depressa
quando finalmente estamos realizando aquilo que queremos. Chega a ser uma
ironia. Por isso, temos mesmo que viver, intensamente, sem medos, sem mágoas,
sem se apegar aos rótulos dos outros. Se tu ama, ame mesmo, ame profundamente, porque
logo mais o amor pode acabar, quem garante? Se tu quer, vá atrás. Se não quer,
diga, não aprisione, não engane – a vida é muito curta para fazer os outros
perderem o tempo precioso que não tem.
Quero
escrever tudo isso sem vírgulas, sem aspas, sem pontos, sem revisão. Queria
poder falar tudo que pulsa aqui dentro, queria poder correr e te abraçar e
dizer que te quero tanto e tanto. Queria poder conhecer tudo no mundo, ler
todos os livros que desejo, ouvir todas as músicas que não conheço, fazer tudo
aquilo que não fiz. Mas, veja só, não tenho tempo. E a cada dia tenho menos ainda. Acho que as pessoas não percebem isso,
não conseguem mensurar o quanto passa depressa. Talvez, se realmente prestassem
atenção no quanto tudo voa, não ficassem estagnadas. Estamos perdendo tempo,
meu bem. A cada minuto.
Tic Tac.
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