![]() |
Weheartit.com |
Queria escrever sobre você. O
cursor pisca insistindo por alguma palavra, mas a página segue em branco. Não
que eu não tenha o que dizer – pelo contrário, você é uma fonte inesgotável de
inspiração. Poderia dizer mil coisas, usar mil floreios ou palavras difíceis
para enfeitar isso tão simples que sinto. Mas não consigo. Não consigo te
transformar em ficção, literatura, porque você foi a coisa mais real que me
aconteceu. Tão longe, tão aqui. Só sei escrever lindamente sobre mentiras,
sobre coisas que observo. Coloco nas palavras sentimentos e anseios que são
mentiras sinceras – obrigada Cazuza – ou realidades inventadas, mas se quero
dizer exatamente o que pulsa aqui dentro, não consigo.
Você me cala. Você me faz querer
justamente as coisas que mais fujo desse mundo. Você faz eu me sentir piegas,
brega, me faz escrever coisas clichês. O
amor – posso chamar disso? – é clichê. É o ridículo da vida, diria Cazuza em
sua voz rouca novamente. Ninguém quer ser ridículo, tolo que somos. Na
tentativa de não ser piegas, disfarçamos das maneiras mais óbvias possíveis
aquilo que a gente sabe que sente. Por que sentir, afinal, é tão difícil?
Não sei explicar. Do mesmo jeito
que não sei ter coerência quando tento te retratar como minha literatura.
Incoerentes, aliás, é tudo que somos, fazendo as coisas sem nexo, sem sentido,
tão confusas, difusas, e por serem assim tão tortas, tão reais. Ainda estou na
dúvida, aliás, se queria ter te
encontrado ou apenas continuar com a ideia do que teria sido. Não sei mensurar,
não sei explicar, não sei escrever: você me bagunça. Bagunça todas as palavras
que já deixo organizadas para escrever sobre isso, confunde os adjetivos,
advérbios, verbos e tantas outras coisas que serviriam para me nortear. Meu
senso de direção não funciona com você, porque não temos direção – apenas
seguimos para o agora, e quem sabe, o infinito. É assim mesmo, ao som do
Lenine: não me importo com a lógica, quero só o que me interessa.
Nenhum comentário:
Postar um comentário