segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Vazio.

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Acordei com um vazio hoje. Sentindo falta de algo, agoniada com alguma coisa que não sabia o que. Logo percebi: sentia falta de amor. De amor simples e puro. Sentia falta de acordar de madrugada com um pé enroscando no meu, ou de mandar um torpedo só pra dizer que vi aquele filme e lembrei de ti, muito embora eu nem saiba quem é você ainda. Sentia falta de abraços, de poder compartilhar algo que eu fiz e ouvir sobre o seu dia. Sentia falta de você, uma pessoa que eu sei que existe por aí, sentindo minha falta também.  

Sei que você está aí em algum lugar, com esse mesmo sentimento de vazio no peito. Talvez você disfarce ele saindo dia após dia com garotas diferentes, talvez você trate o amor como algo descartável, talvez você esteja saindo de segunda a segunda e postando frases de como sua vida é feliz e você é despreocupado com tudo isso, mas alguma hora você também sente esse vazio. Igualzinho a mim.

 Por falar em vazio, onde as pessoas têm colocado os sentimentos? Por que temos mesmo que viver com medo de falar o que a gente sente, de ser a gente de verdade? Passamos os dias passando “filtros” em nossos sentimentos para que eles sejam aceitáveis. Não, nada de dizer que se sente sozinho ou que sentiu saudades, isso é brega, mainstream. Seja feliz sempre, mostre que não sente nada, que sua vida é bela e que você não depende de ninguém. Isso é mais aceitável né? Isso vai te fazer mais popular, não vai?

 Triste realidade. Não sei em que parte as pessoas deixaram as coisas chegarem a esse ponto. Tá tudo mesmo ao contrário, superficial, falso. Vivemos no mundo das embalagens bonitas – atire a primeira pedra quem nunca – mas esquecemos mesmo muitas vezes de dar valor ao conteúdo. E, depois de toda a farra, o prazer sem compromisso, os beijos nas pessoas sem nome, a quantidade de pulseiras vips na balada, o número cada vez maior de amigos (que você nem conhece) nas redes sociais, o que fica? O vazio meu caro, é isso que fica. Um mundo cheio de pessoas vazias. 

 (que tal a gente se preencher?)

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Mantenha a personalidade.

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Conheço uma menina que logo vai casar. Antes de ter um relacionamento, essa menina era outra – divertida, pintava suas unhas de vermelho, era desbocada algumas vezes e não tinha pudor em usar roupas simples com chinelos e cantar reggaes para os cachorros da rua. Hoje, essa menina não faz nada disso, é quieta, não fala besteiras perto do namorado, se veste impecavelmente e deixou as cantorias para trás. Ela tem um perfil na rede social junto com o namorado, para provar que o amor dos dois é um só. Céus.

Por que será que algumas pessoas quando namoram acabam assumindo a personalidade da outra, como se não tivesse uma própria? Porque alguns casais viram um único ser – passam de fulano e ciclana e se transformam em fulano-ciclana, uma fusão do tipo Dragon Ball que não permite que eles façam coisas separados? Será que quando encontramos uma pessoa deixamos de sermos nós mesmos?

 Não. Não temos que deixar. Claro, alguma mudanças sempre acontecem, afinal quando você se une a uma pessoa tem que aceitar e respeitar muitas coisas, pois são dois mundos diferentes se encontrando. Mas aceitar e respeitar não significa tirar toda a bagagem da sua mala e colocar roupas que nem ficam bem em você. E se a viagem acaba, você lembrará em qual guichê deixou sua velha personalidade – se é que você tinha uma?

Namorar, noivar, casar, se juntar, etc etc etc é lindo. Desde que você não precise ficar se moldando para caber no espaço do outro e nem ele no seu – que se fique junto pelo que se é, não pelo que o outro quer que você seja. Ok, que atire a primeira pedra quem nunca cometeu um errinho desses, eu mesma já mudei muita coisa para tentar não afundar um relacionamento, o que só serviu para perceber que tapar os furos com band-aid falso não adianta.

Desde então, escolhi ser eu mesma, se quiser todas as minhas qualidades tem que aguentar as outras coisas também. Se quer usufruir da minha alta capacidade de cozinhar gordices, tem que aceitar que eu não dou do tipo que se monta em maquiagem e salto alto para ir em qualquer lugar. E essa sou eu.

 Que outras pessoas possam ser elas mesmas também. Fusão, só é legal em desenho animado. Na vida real, caros amigos, não é nada fofo – e sim brega. Fiquem ligados.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Metáfora de mercado

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Ouvi uma voz pedindo um café-com-leite. Mais café que leite. Não, sem açúcar  Muito interessante, pensei, enquanto tomava meu próprio café gêmeo ao desse cara na mesa do mercado. Na cestinha (opa, sinal que deve ser solteiro, casados compram em carrinhos) tinha ração de gato. Homens que tem gatos são muito interessantes. Tinha frutas, coca-cola, macarrão e o resto não consegui ver. Barba por fazer, uma tatuagem na panturrilha. Chinelos. Muito, muito interessante. Bebi meu café devagar e fiquei observando, já ele bebeu rápido, olhou seu relógio com uma cara de sério (que cara mais lindo!) e se perdeu entre as prateleiras do mercado. Lá se foi um cara muito, muito charmoso e interessante.

Pedi mais um café, porque aquilo me deixou intrigada. Onde se escondem esses caras interessantes? Perdidos entre as prateleiras do mercado e livrarias? Na esquina de cinemas cults e bares de nomes estranhos que ninguém conhece? Por que é tão difícil de localizá-los, existe algum tipo de código? Ou estaria eu apenas procurando nos lugares errados?

 Uma coisa é certa: na balada eles não estão. Veja bem, meu bem, sinto lhe informar, mas é verdade. Não estou dizendo que as pessoas das baladas não sejam interessantes, mas é que elas estão ali com outro propósito  Se fosse um mercado, os caras da balada estariam na prateleira de chocolates e gordices, são uma delícia, todo mundo quer, mas acabam rápido. Muitos até te deixam com aquele sentimento de culpa – e engordam. E, no momento, estou de dieta, prefiro algo mais light, com sabor diferente, algo orgânico  sem firulas na embalagem, mas com um conteúdo que não faça (tão) mal. Que seja mais para ‘longa-vida’ do que para ‘pronto em três minutos’. Mas essas prateleiras são tão escondidas! 

 Parece que esse tipo de produto anda em falta no mercado. Ou até, quem sabe, eles passem despercebidos pela gente, porque escolhemos demais. Eu sou assim. Vivo sabotando a dieta, depois reclamo que não tem nada que preste, mas na hora de escolher, será que eu escolho o certo? É bom pensar. Terminei meu segundo café e jurei ficar um pouco mais atenta: quem sabe seja hora de prestar atenção nas escolhas. E nas cestinhas alheias.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Aquela Sensação.


 Dia desses fui comprar uma gordice no Burguer King e por acaso o shopping tinha música ao vivo. Enquanto escolhia entre as delícias de cinco reais ao som de alguma música do J quest, que não me lembro qual (confundo todas elas), a atendente suspirou e disse: “Queria entender o que esse cara está cantando”. No primeiro momento eu pensei que ela não devia estar muito bem do ouvido, afinal o músico nem era tão ruim assim. Depois, enquanto saboreava meu delicioso bacon, eu entendi. A tal música falava sobre as sensações de estar apaixonado, e era sobre isso que ela queria entender. E eu também. 

 Veja bem: não sinto falta de uma pessoa em específico. Não sinto saudades do que passei com ela. Mal me lembro dela, pra falar a verdade. O que eu sinto falta é daquela sensação de estar apaixonada, sabe? Aquele frio na barriga que se sente quando a pessoa vem chegando perto. Ou aquela gaguejada que a gente da quando fala e não consegue tirar os olhos do sorriso mais lindo do mundo. A vontade boa de ouvir a voz, sentir o cheiro, o sorriso besta quando recebe uma sms no meio da tarde. As dúvidas – ah, as eternas dúvidas nas coisas mais bobas, a consulta as amigas para saber opiniões sobre tudo. É, amiga atendente do Burguer King, isso faz realmente falta. 

 Fazem dois anos que não me apaixono. Além de uma paixonite ou outra, mas nada a ponto de me fazer escutar músicas do Roberto Carlos, por exemplo. Mal me lembro quando senti meu coração acelerar bem forte.. Também não me lembro o ponto que ele foi desacelerando e sedendo espaço para o fim do começo do amor – como essas coisas vão sumindo e a gente nem percebe? Deveríamos cultivar isso sempre. Deveria ser proibido que só nos lembrássemos desse tipo de sensação graças ás epifanias de atendentes do Burguer King.

 Mas a gente sabe que não é tão simples. Não existe um botão que se aperta e faça que a gente se apaixone e as nossas palmas das mãos comecem a suar. Porém, pessoas, talvez a gente dificulte um pouco também, talvez nós deixamos as nossas portas fechadas para qualquer tipo de sensação. Talvez a gente tenha medo disso tudo, ou talvez seja mesmo difícil encontrar um amor para embaralhar a nossa cabeça. Talvez, talvez... Já que tudo e uma suposição, quem sabe então não tenhamos que fazer igual nosso querido Caio F. Abreu ensinou? Ele disse assim: “Para atravessar agosto ter um amor seria importante, mas se você não conseguiu, se a vida não deu, ou ele partiu – sem o menor pudor, invente um.” Concordo Caio, mas acho que para atravessar todos os dias – não somente agosto – essa é uma ideia muito valida. Já estou inventando.

sábado, 3 de novembro de 2012

Desbotado.

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Enquanto bebo café e você fuma seu cigarro do outro lado da sala, eu me pergunto – será que você não vê, meu bem, que estamos por um triz? Você traga seu cigarro e eu fico num faz de conta que nada está acontecendo. Eu pego mais um café e você vira a página do jornal e assim a vida segue. 
Vem me dizer que eu sou tua? 
 Você comenta sobre as novas decisões políticas e eu finjo que entendo. Dessa vez quem acende um cigarro sou eu e você ri irônico, dizendo para eu largar esse vício – isso enquanto acende mais um para você. Dou risada também, e por um breve instante sinto um calor dentro do peito, culpa dos meus olhos encontrando os seus verdes e cansados enquanto sorri. Mas o sorriso logo congela e você vira mais uma página.
 Vem bagunçar o meu cabelo impecável e me dizer sorrindo que vai desarrumar minha vida? 
 Pode estar sol lá fora, talvez seja sábado ou domingo. Mas aqui dentro desse nosso apartamento é cinza e gelado. Você parece parte da decoração, tão cinza quanto. Há fumaça e cheiro de café, há você sem camisa e eu com um micro vestido. Há a gente por um triz, (você não vê?) bem no meio dessa coisa toda. Quando foi que chegamos a esse ponto mesmo? Será esse sempre o destino – tudo é colorido no começo até que vai desbotando, desbotando e termina com você virando a página do jornal e eu tentando achar cores nisso tudo? Não sei. Me aproximo de você, pego mais um cigarro e te observo. Você está acabando com meu pulmão. Você está destruindo meu coração. Você confunde a minha mente. 
 Tira o cigarro da minha boca agora e vamos nos amar loucamente nessa varanda fria? 
 Você mal me olha, mal me percebe. Sou linda, não vê? Quero explodir radiante essas cores que pulsam no meu peito. Te pergunto o que acontece e você me responde falando sobre uma manchete do jornal. Quis saber o que acontecia bem aqui, entre nós dois, mas como não me atrevo a perguntar de novo. Concordo que o furacão Sandy é um indício do fim do mundo. Te deixo aí – lindo e cinza – com suas divagações sobre o fim dos tempos e a péssima política do Brasil e saio desse apartamento que me sufoca. Está tudo tão colorido lá fora. Sorrio. O que está desbotado não merece minhas cores, então sigo. Para o dia, meu bem, nascer feliz. 

‘Todo dia a insônia me convence que o céu 
Faz tudo ficar infinito 
E que a solidão é pretensão de quem fica Escondido fazendo fita.
Todo dia tem a hora da sessão coruja 
Só entende quem namora Agora "vão bora"
 Estamos meu bem por um triz’
Cazuza.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Pessoas dão preguiça.

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Preguiça das pessoas e desses joguinhos sociais, saca? Bom, deixe-me ser clara: Toda essa coisa montada, esse script que temos seguir quando conhecemos alguém. Visualize: você se arruma, chega na festa. Olha para os lados, vai até o bar, retoca o batom vermelho e dança mais um pouco. De repente ali, de camisa xadrez e barba por fazer (já que agora o lema é faça amor e não a barba), está ele. Olham-se, você desvia o olhar, dança como se não tivesse percebido a figura. Olha de novo, ele sorri, você bebe seja lá o que estiver bebendo e ele se aproxima. A abordagem vai variar de acordo com o lugar que você esteja freqüentando (espero eu que não seja uma balada sertaneja – nada de agora fiquei doce), você reza para que ele não venha com um papo muito furado. Aliás, você reza para que ele tenha papo, que não venha já te segurando, querendo te beijar, afinal as pessoas tem essa mania hoje em dia. Elas querem primeiro beijar para (talvez) depois se conhecerem. Triste. 

Trocam algumas palavras, ele falou algo engraçadinho e você sorriu. Seu sorriso foi elogiado. Vão para um outro lugar porque ali não da para ouvir direito. Aham, sei. Ele tem até uma tatuagem legal no braço e parece ser bem bonito de perto – ah não, nada tem a ver com as duas doses de tequila- então você vai. Talvez vocês conversem mais um pouco, talvez não... Mas, supomos que sim. Então, logo começa aquela auto-publicidade toda – e isso meu caros, me cansa muito, muito muito. É aquela coisa, você é acadêmica de (insira seu curso aqui), faz estágio, rala pra caramba, não liga para coisas fúteis (apesar de estar usando um sapato mega caro), assiste filmes de Tarantino e gosta de ler (mas não diz que é fã de Nicholas Sparks). Ele diz Jura?? Elogia seu curso, faz alguma piada sobre você ser muito inteligente, diz que surfa/anda de skate/toca violão e que no próximo ano vai fazer intercâmbio para a conchinchina, que por acaso é o lugar que você sonha em visitar. Você quer ir viajar o mundo para fotografar, e adivinhe só! – ele ama fotografia. Risadas juntos, pega na sua mão, beijam-se, apertam-se, sorriem, beijam-se de novo. 

 Então ele tem que ir, tudo bem. Aí ele pega seu número e diz que vai te ligar. Amanhã mesmo, pois quer falar sobre uns lugares ótimos na conchinchina que da para fotografar. Você passa seu número, faz alguma piada qualquer enquanto ele segue com os amigos. Você então vai ao banheiro com as amigas – conta tudo nos mínimos detalhes, imagina, tanta coisa em comum! E assim a noite segue, quase que com o mesmo roteiro. No outro dia ele não liga – mas você já sabia disso. De repente ele nem parecia tão interessante e sua cabeça dói. De noite você nem se lembra mais sobre a Conchinchina e suas fotografias.

 Entende o que eu quero dizer? Cadê a naturalidade das coisas? Por que temos que ficar nos inventando? Tão simples ser direto. Tão simples ser você. Mas ser você te deixa menos interessante? E se você simplesmente falasse que nunca ouviu falar de conchinchina nenhuma, mas adora viajar para o interior de São Paulo? Ou então ao invés de ser super fã da banda que ele acabou de mencionar – e você nunca tinha ouvido falar antes – dizer que gosta mesmo é de ouvir los hermanos, mas adoraria conhecer um pouco mais sobre a tal banda. Que tal rir das incompatibilidades? Que tal não dar seu número – pois você sabe que ele não vai ligar- e ao invés disso anotar o dele. E não ligar. Ou ligar, se tiver vontade, porque não? Não temos que seguir sempre o mesmo script mesmo.

 E isso que é o bom. Reinventar. Inovar. Sair do mesmo. Agora entende porque ando cansada desse joguinho social? Ah, legal mesmo é falar, fazer e sentir o que der na telha. Agir livremente, sem ficar pensando em seguir um padrão porque é assim que deve ser feito. Quero mesmo é fazer como eu bem entender, sem precisar ficar pesquisando sobre as conchinchinas da vida, se o que eu gosto é o fora do comum. Que me aceitem assim, ué! Ou se não aceitar, que apenas respeitem. Tomara que existam pessoas que estejam com o mesmo cansaço que eu.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Plante a paz, colha o amor.

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“É para todos, não importa de onde você é, o amor, ele cruza todas as linhas.Como o sentimento de todas as estações mudando, o amor é uma memória, e nestes últimos dias, quando a iniquidade arde, o amor verdadeiro fala”. 

Essa música é True Love, da banda Soldier of Jah Arms, mais conhecida como S.O.J.A. Escolhi ela para começar esse post não somente pela beleza que é sua letra, mas pelo grande sentimento que ela passa. Porque eu acho que música é isso, é sentimento, é coração, é amor... Música de verdade toca você, arrepia, emociona. Não é como aquele monte de enlatado que a gente engole todos os dias – não, música de verdade é poesia, vem da alma e você sente isso. 

E o reggae meus caros, é cheio disso. Cheio de sentimento. Suas letras falam de amor, de Deus em todas as suas formas, de paz e de coisas boas. Mas é incrível o preconceito que o reggae sofre! Já cansei de ouvir que quem curte reggae é um bando de marginal maconheiro, que não faz nada da vida. Bando de vagabundos. Quando ouço essas coisas, eu realmente tenho pena dessa gente de alma tão pequena e cabeça tão limitada. Gente preconceituosa, gente que não se dá ao trabalho de ter fundamento com o que fala. 

 Conheci por esses dias um garoto (lindo), que tinha dreads. Ele me disse que tem gente que chega a atravessar a rua para não passar perto dele, por achar que ele é assaltante ou algo do tipo. Ele é claro falou isso rindo, acha engraçado essa reação das pessoas. Ele não se importa, porque ele sabe quem ele é, sabe de seus princípios. Agora, que princípios tem esse tipo de pessoa que atravessa a rua devido a aparência da outra? Que julgamento é esse? Isso é triste, muito triste.

 Então, antes de levantar o dedo e sair julgando as pessoas ao seu redor, lembre-se que “quem planta preconceito, racismo e indiferença, não pode reclamar da violência”, afinal “quem planta a violência, colhe o ódio no final”. Boas palavras, Natiruts.