quinta-feira, 31 de maio de 2012

Pareço legal mas não gosto de sushi.

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Sempre que eu falo que detesto sushi chove palavras de indignação. Como assim não gosta de Sushi? É uma delícia! Coisa de outro mundo! Todo mundo ama Sushi! Você que não deve ter comido no lugar certo! Entre outros blábláblás do gênero. Confesso que os sushis que experimentei não foram em restaurantes especializados no tal, então resolvi me render e comer o sushi feito em um dos melhores restaurantes. Um amigo meu pediu, e lá fui eu, tapei o nariz, mergulhei no molho shoyo e me rendi ao tal sushi. 


 Agradeço ter experimentado esse sushi desse tal restaurante pop, afinal eu pude realmente constatar: Sushi é ruim demais!!!!!! É sério, o que acontece com esse povo? Como é que pode sushi estar tão na moda, a ponto de ter um restaurante a cada esquina? A sensação que eu fiquei é que tinha ido até o mercado público de Florianópolis e dado uma fungada na banca de peixes. Sério. 


Não devo ter nascido com um paladar muito refinado. E agradeço muito a isso. Não sei porque essa mania de gente que se acha phyna ficar comendo coisas estranhas com nomes esquisitos. É lesma, ova de sei la que peixe, cogumelos ruins e caríssimos e peixe cru. E pagam ainda um absurdo por isso! Eu não como lesma nem de graça amigo. 


 Você que gosta de ter hálito de peixe cru: gosto é gosto, eu sei. Então não me condene quando eu disser que sushi é a coisa mais horrível do mundo! Porque, meu amigo, bom mesmo é picanha com farofa. Pizza de frango ou até um salmão, desde que bem assadinho e temperadinho. E se estar fora de moda é não ir ao sushi, te digo que adoro exercer minha breguice num bom rodízio de carne. Com garfo e faca. 


ps. Tentando mastigar aquele sushi me senti numa prova do No Limite. Olho de cabra com molho shoyo será que rola? 


Ps2. Rodízio de pizza poderia voltar a estar na moda no lugar desse monte de restaurante de sushi né?

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Foi uma história bonita, ponto final


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Sempre achei que não saberia colocar pontos finais. Virar a página, quase impossível. Afinal se a história que estava escrita ali atrás era linda, porque eu não podia reler, reviver, reinventar? Então, por mais que as próximas estivessem cheias de rabiscos, rasuras, algumas tivessem sido rasgadas e outras cheia de palavras duras e sem sentido, eu sabia que a página bonita ainda existia, ainda estava lá. Nesse nosso livro louco, não deveria ter ponto final, apenas reticências. 


 Depois de tentar reescrever esse nosso conto torto e com mais momentos de arrancar lágrimas do que de tirar o fôlego, decidi: não há mais espaço em branco que possa ser preenchido com letra alguma. É vício, como ler aquele livro que já lemos trocentas vezes: da saudade e a gente pega pra ler de novo, mas sabe que não vai haver novidade, que não tem como mudar, pq já foi, já vivemos, então para que? 


 Sei bem que já escrevi tantos finais, e depois comecei tudo de novo. Sempre você, ora sendo o protagonista, muitas vezes sendo o antagonista. Você que nada tem a ver comigo, mas que deixa eu me perder tanto nesses gostos opostos. Quero me encontrar agora amor. Lembra do livro que me deu? Devolvi, pois não cabe mais história alguma. Onde se passa borracha ainda ficam marcas, onde a folha é rasgada fica algo incompleto. Algumas linhas foram lindas, vou ler vez em quando. Por enquanto, me escrevo em outras páginas. 


 Um dia escrevo pra ti, e não mais por ti. Mas para contar outras tantas histórias que agora não cabem mais a nós.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Pelos dias de cão, muito obrigado.


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Pois dizem por aí que a pior coisa do mundo é descobrir uma traição, descobrir que a pessoa que era sua verdade é na verdade a maior das mentiras.  Que nada! Agradeça a descoberta da traição. Agradeça ter descoberto todas as mentiras. Agradeça essa dor – que é enorme, sabemos bem. Chore, tome muito café, vodka ou sei lá, fume muito cigarro se você fuma, xingue, esmurre o travesseiro. Fique indignado, revoltado. Mas agradeça por passar por tudo isso. Pois tudo isso fortalece.
Depois desse momento de revolta, tudo fica mais claro. Você acaba percebendo que descobrir tais mentiras, por mais dolorido e traumático que tenha sido, foi a melhor coisa que poderia ter acontecido. Afinal, ninguém merece viver uma mentira.  Agradeça por não perder a vida inteira com a pessoa errada.
Errar, todo mundo erra. Erramos, perdoamos, voltamos a errar e perdoar. Mas merece ser perdoado aquele que reconhece seu erro. Grande ou pequeno, mas reconhece. Agora, se você perdoou, mas a pessoa continua persistindo no erro, não vale a pena. Não vale a lágrima, não vale as noites sem sono. Falta de caráter não tem perdão.
Não se culpe. Temos essa mania de colocar a culpa na gente pelos erros dos outros. Se a gente tivesse feito diferente, teria acontecido? Difícil saber. Mas aconteceu. E se você foi íntegro, sincero, se não usou máscaras ou inventou personagens, o erro não foi seu. Perdoe-se! Não se sinta idiota por ter sido enganado. Lembre-se: pior é quem fica se enganando, acreditando nas próprias verdades inventadas. Deus nos livre desse tipo de pessoas.
Então o tempo vai passando, depois essa dor nem fará cócegas. Você seguirá sua vida, entenderá que essa descoberta foi a melhor coisa que te aconteceu. Um mal para livrar de outro.
De tempo ao tempo. A vida se tornará mais leve depois, você verá. Por enquanto, apenas agradeça por ter se livrado e vá cuidar de você, a única pessoa que é responsável pela sua felicidade.


“Pelos dias de cão, muito obrigado , pela frase feita ...Por esculhambar meu coração antiquado e careta. Me trair, me dar inspiração preu ganhar dinheiro...Obrigado
por ter se mandado, ter me acordado pra realidade das pessoas que eu já nem lembrava, pareciam todas ter a tua cara”
Cazuza, Obrigado por ter se mandado.




quinta-feira, 3 de maio de 2012

Rede (anti) social


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Somos todos lindos, melhores ângulos, melhores roupas. Temos  uma vida social agitada – baladinhas no final de semana, cerveja com os amigos, cinema, teatro, shopping, whaterever, está tudo ali para todo mundo ver. Somos quase sempre felizes. Quando estamos tristes somos extremamente conhecedores dos poetas, das frases, da literatura, ainda que nenhum livro de tal autor tenha sido lido. Porém  ele é o que está na moda, então vamos dar um ar intelectual para a nossa tristeza.
Odiamos BBB e todos os enlatados que a televisão brasileira nos empurra. Mas não sabemos explicar como a audiência se mantém tão alta. Detestamos abandonos de animais, apoiamos as causas do meio-ambiente, nos indignamos com os baixos salários dos professores e com os grandes salários dos senadores, protestamos contra os altos impostos que temos que pagar. Amamos Deus e ai de quem não dizer que ama também, porque se você ama, compartilha. Falamos tanto de amor, de como ele deveria ser, de como ele é lindo. Os namoros são perfeitos.
Nos alimentamos bem, muito bem. Não viu o último prato que comi, quanta coisa boa? Somos mestres-cucas também. Sabem onde vamos, que horas chegamos, quando vamos dormir e quando acordamos. Tem as indiretas, as diretas, as entrelinhas e as que são bastante explícitas. Reclamamos, agradecemos, temos 300, 400, 1000 amigos. Eles nos curtem. Compartilham também. Os papos são intermináveis. Rola até uma paquera (que palavra mais antiga) vez em quando. Somos desinibidos, não tem olho no olho, sabe como é.
Isso é o que tentamos mostrar. Descolados, lindos, preocupados com o mundo, apaixonados. Bom seria se fizéssemos metade disso na vida real. Escondidos por trás da tela do computador (tablet, celular, mp10 etc) todo mundo é corajoso, não?

“Para saber quem somos, basta que se observe o que fazemos da nossa vida. Os fatos revelam tudo, as atitudes confirmam. O que você diz, com todo respeito, é apenas o que você diz.” Martha Medeiros





sexta-feira, 27 de abril de 2012

Doce solidão.


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Tinha saído apenas para tomar um café – era frio, som de violão, solidão. Naquele lugarzinho que achei por acaso porque entrei na rua errada quando fugia de você, quando fugia de alguma coisa morta que tinha me dito que matou alguma coisa viva que ainda sentia. Andando sem prestar atenção, levantei a cabeça assim que  senti o cheiro forte de café, e percebi que testava no caminho errado, que se tornara o certo por acaso. Eu gostei imediatamente daquele lugar porque tinha música, era pequeno e na frente tinha um terreno abandonado que alguém plantou flores. No meio da cidade, um café com vista para flores. Eu achei poético, você teria achado cafona. Eu me achava meio artista, você sempre falou que era muito dramática, e tinha que acordar para a vida. A vida é cruel, você dizia. Eu sei que é, mas não posso tornar essa crueldade um pouco mais doce?
Pensava ainda em você e nas suas palavras sempre duras quando entrei. Mas a  voz que ouvi logo cortou meus pensamentos. Cantava, voz rouca, Foge que eu te encontro que eu já tenho asa, Isso lá é bom, Doce solidão? Doce solidão. Você cantava como se só existisse você e seu violão, olhos fechados, sentimento, lindo. Sentei, logo pedi meu café e o bolo de sempre, mas não consegui sentir o doce do bolo, só o doce da solidão que eu vivia ali naquela mesa, embalada ao som doce do seu violão, que espantava o amargo dos pensamentos que tinham me levado até ali. Fiquei, não sei quantas músicas ou quantos cafés, mas fiquei prestando atenção em você e na sua melodia.
Sua música era linda. Você, na verdade era comum – uns bons anos a mais que eu. Trinta e alguma coisa, talvez. Algum cabelo branco, olhos verdes e cansados. Mas era lindo, tinha algo que o tornava lindo, ainda que. Quando parou de cantar e veio em minha direção quase não parecia real. Assim, sem rodeios ou conversas prontas, apenas pediu licença para sentar, pediu dois cafés e disse que percebeu o quanto eu prestava atenção. Gostou da música? Eu consenti, me sentindo meio besta por não pensar em nada inteligente para dizer. Mas não precisei, com você eu falaria sem me esforçar, sem querer parecer menos dramática ou mais pé no chão. Com você falaria das coisas da alma,  das partidas e chegadas, falaríamos de sentimentos mesmo quando a gente não falasse nada. Você teria ouvidos e o ombro para eu encostar. Eu escutaria você lendo baixo suas letras, te daria minha opinião que seria atentamente considerada. Falaríamos dos livros, artistas, filmes. Você, do nada, deixaria em cima da minha cama aquele livro que eu disse que queria. Eu ficaria na sua cama, esperando você voltar, sem nenhum medo, sem querer parecer que precisava de você, ainda que eu precisasse. E você, sem medo algum, precisaria de mim também, sorrindo leve, abraçando apertado, tudo tão blues.
Naquele momento, eu soube que.
Enquanto a gente se olhava nos olhos, seus cansados, não de meninos querendo conquistar cada vez mais garotas para depois abandoná-las sem motivo algum, mas de homem, querendo dividir sua doce solidão.
Depois daquele dia e de tantos outros que nos encontramos, continuava doce. Só que já não era solidão, éramos nós.

Os dias que eu me vejo só
São dias que eu me encontro mais
E mesmo assim eu sei tão bem
existe alguém pra me libertar.
Condicional -  Los Hermanos


Obs. Titulo e trecho presente no texto é da música Doce Solidão, de Marcelo Camelo.




quarta-feira, 25 de abril de 2012

Borboleta e o jardim


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E falam os poemas, as músicas e as pessoas: cuide do seu jardim, que a borboleta volta. Se cuida, todos diziam – até ele – que volta. Então fui levantar e cuidar do jardim, mas que tarefa mais difícil! Tem que ter paciência para cuidar do tal jardim. Tem hora que da vontade de arrancar tudo, matar tudo, deixar o jardim só cheio de barro e falar que se ferre o jardim. Mas de uma maneira bem menos educada, se é que me entende. Mas então vamos lá, aos poucos, cuidando do jardim... tirando as folhas secas, algumas tendo que ser arrancadas bem pela raiz. Algumas raízes já tão fundas, fincadas, por mais que a planta esteja morta e sem vida, doem para sair. Vontade de deixar elas ali, mas não, temos que arrancar, recomeçar, replantar, blábláblá.
Escolher as sementes certas... flores menos bonitas, porém mais saudáveis. Algumas sementes não vingam, a gente sabe. Algumas morrem no começo, outras secam no caminho. Aos poucos, algumas flores vão surgindo, resistindo aos temporais, aos dias de sol muito forte, aos ventos que parecem querer levar tudo para longe. Passa o tempo, a gente mal vai percebendo, mas de repente temos um jardim, e olha só, ele está bonito, tem flores, plantas, cheiro bom e frescor. O jardim que a gente nem queria está ali, deu um trabalhão danado, mas agora é seu, parabéns, você conseguiu.
Logo, quem aparece? A tal borboleta. Borboletas sempre voltam e o seu jardim sou eu? Ah faça-me o favor borboleta. No meio do processo estava visitando outros jardins não? Agora que descobriu que o meu novamente é o mais cheiroso, mais bonito, sem mato e ervas daninhas, quer voltar?
Não obrigada.
O que aprendi sendo jardineira é cuidar do jardim. Para atrair novas borboletas, não pragas.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Amor, coitado.

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O problema é que cada vez mais a gente vem aceitando que para merecer o amor, a gente tem que sofrer junto. É como se fosse um pacote: saboreie o amor mas guarde espaço para a grande decepção que vem depois. Porque o amor é doce, mas lá no fundinho você sabe que depois tem aquele gosto amargo, noites sem sono, raiva e decepções. Para depois ter amor de novo. E então, já vamos amando errado, como se fosse para realmente merecer o que nos espera. Ué, já que vou ter que passar um bocado de tempo fechada no quarto, usando uma camisa sua, comendo chocolate e assistindo dirty dancing enquanto tento entender porque tenho que sofrer tanto e porque você não me ama mais, vou te fazer sofrer um pouquinho já. Vou se rum pouquinho má. Vou mentir de leve. Vou sair escondidinha. Já que você vai me trair – porque não existe fidelidade e etc – vou te trair antes. Mas não porque eu queria, mas quando você não aparecer mais, ou quando eu descobrir que por trás de tudo aquilo doce você era totalmente estragado, vou poder dizer que te fiz sofrer. Vou merecer meu sofrimento de amor.

Ai que tristeza tudo isso que estamos fazendo com o amor, coitado. E colocamos toda a culpa nele, já percebeu?  Porque se jamais tivesse te conhecido, se jamais tivesse te beijado naquele fim de carnaval, se você jamais tivesse dito que me amava e que nunca iria me fazer sofrer, se você não tivesse mentido que era diferente de todos os outros que também me beijaram no fim de carnaval ou no fim de tarde ou debaixo da chuva, eu não precisaria estar passando por tudo isso. Odeio você e odeio o amor, tudo culpa dele. E sua. 

Engraçado é que quando estamos lá de mãos dadas no cinema ou achando graça das piadas mais idiotas do mundo, quando tudo é doce e colorido, não nos importamos. Amamos e amamos mesmo, e não colocamos a culpa em ninguém. Nessa hora, o pobre amor, tão xingado coitado, é a melhor coisa do mundo. Que ingratos que somos quando tudo acaba! Simplesmente a gente passa uma borracha e só sabe reclamar, culpar, xingar e sofrer. Principalmente xingar e sofrer.

Vamos parar de amar errado. De sofrer por antecipação, de culpar o amor pelo sofrimento que ele causa depois. Ei, ele não causa sofrimento depois! Amor é sempre lindo, sublime, doce, reconfortante, cor-de-rosa, avassalador. Esse é o amor. E não mata.
O verdadeiro causador dos sofrimentos somos nós. Eu, você, a piriguete que deu em cima do seu namorado e o cara que te deu um pé-na-bunda. Simplesmente porque não sabemos lidar com o amor do jeito certo, já que pensamos que nossa sina é sofrer. Que dramáticos que somos.

Nenhum sofrimento pós-amor é merecido. Mas passamos por ele. E temos mesmo que passar, porque algumas coisas a gente tem que aprender. E depois ele vem de novo: prepare seu coração e arrume seu cabelo, ele não tem hora pra chegar. Vê se recebe ele certo dessa vez.