segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Você foi a melhor coisa que não me aconteceu.

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 Agora estou aqui, conhecendo um novo mundo. No começo, senti por demais a sua falta, e não tinha para onde correr. Mal e mal entendiam o que eu falava, e eu não sabia ainda expressar sentimentos tão fortes em outro idioma. Pensava em você toda hora, via você em todas as pessoas que eu encontrava, algumas nem sequer pareciam contigo fisicamente, mas algo sempre me fazia lembrar – fosse a camisa amassada, o cabelo liso e displicente, a maneira brusca de caminhar, o sorriso torto. Ou era só coisa da minha cabeça, talvez.

Mas as primeiras semanas foram passando, e a cada coisa nova que eu descobria, ia aprendendo mais e mais que fiz a melhor escolha. Escolhi ir embora para ser livre, para te deixar livre também. Você disse que não, que era para eu ficar, que a escolha foi minha, mas agora te digo: ir para longe fisicamente foi escolha minha, mas estávamos longe, muito longe há muito tempo, por escolhas nossas.

Já te culpei muito, por tudo. Hoje não te culpo mais. Aliás, estou te escrevendo, depois de um longo ano, para dizer para você que você foi a melhor coisa que não me aconteceu. É isso mesmo. Não ter tido você, seguido os planos me abriu novos caminhos. Me levou para o mundo, o que me fez encontrar o meu mundo também. Tinha muito de mim que eu não conhecia. Se tivéssemos continuado, só nos machucaríamos mais e mais. Na época, não entendia, não aceitava, mas agora que tudo passou, guardo com carinho o que foi bom. Ter você na minha vida foi essencial, mas foi preciso não ter para poder entender tudo isso, viver tudo isso.

Você foi a melhor coisa que não me aconteceu. Espero ter sido a melhor coisa que não te aconteceu também, e que com isso você igualmente tenha se libertado, descoberto, vivido – esteja vivendo. Penso em ti, com muito carinho.




"E, antes de aprender a ser livre, tudo eu aguentava, só para não ser livre" - C. Lispector




Obs. li uma crônica da linda da Martha Medeiros e esse conto se criou haha



sábado, 29 de outubro de 2011

Palco.

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O que posso dizer é que tudo que fiz, disse e senti foi verdadeiro. Não foi o suficiente? Talvez não. Mas nunca precisei vestir máscaras ou encarar personagens: no meu palco pude ter sido dramática demais, desordeira demais, me entregado demais, falado demais, mas sempre fui eu. Não representei papéis, muito embora tenha vivido algumas cenas, improvisado muito. Foi preciso, não foi? Mas, como toda boa paixão, há de ter um final trágico. Algo como ir embora e nunca mais, nunca mais. Mas, já não importa, porque se não é pra ser verdadeiro, é melhor não ser. Viver com alguém que se limita apenas a representar o melhor papel não é viver, é morrer um pouquinho por dia. Logo, então, melhor descer do palco: aplausos e aplausos para isso que foi. Não quero reprise, não mais. Vou ali encontrar a vida real, e continuar assistindo a suas ilusões. Fechem as cortinas!


sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Luto

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Finais felizes não existem. Até porque se acabou, é porque já não havia mais felicidade ali no meio. Ou até havia, mas a raiva, mágoa, as brigas eram coisas bem maiores. Então não tem como um final ter sido feliz – finais são doloridos, machucam, corroem. Acabar uma história é como lidar com um luto: ali morre o amor e todas as outras coisas que vieram com ele. E dói, dói bastante, uma das maiores dores do mundo. Quem já enterrou um sentimento sabe bem como é.
E vivemos com o luto, sabendo que a outra pessoa está viva. Se ela enfrenta isso também? Não queremos saber. Mas queremos que seja dolorido pra ela assim como dói pra gente, é bem verdade. Esse papinho de quero que você seja feliz? Coisa mais irônica do mundo.
Mas passa, passa. Assim como ele morre, assim como enterramos o sentimento lá no fundo e vamos vivendo cheio de sorrisos no rosto para disfarçar, ele volta. Ah o amor é uma Fênix, renasce das cinzas. Com força, belo, fugaz. Nem sempre para os mesmos espectadores – afinal a vida segue. E o que nos empurra pra frente em meio a esses finais todos, é a certeza que mais além, quando estivemos prontos, vai haver um recomeço – independente da onde, com quem  e quando ele aconteça.


"Tudo isso dói. Mas eu sei que passa, que se está sendo assim é porque deve ser assim, e virá outro ciclo, depois." Caio F. Abreu

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Kiss.

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Eu queria te dar um beijo. Você falava e falava e falava sem parar sobre as injustiças do mundo, o capitalismo, a novela das nove que era sempre a mesma coisa e a chatice do Faustão. Eu queria te dar um beijo. Você contava uma piada que só você achava engraçada – e era mesmo, na verdade – e sorria um sorriso bem aberto e desajeitado, como eu queria te dar um beijo. Eu fingia que prestava atenção e concordava em quase tudo, você é meio chatinho sabe? E essa camisa nem combina com o sapato. Poderia ter um humor melhor. Nem ao menos bonito você era! Magrelo demais. Normal demais. Mas encostava em mim e eu só pensava em te dar um beijo, ali na frente de tudo mundo. Ah, se você soubesse o quanto e quanto mexia dentro de mim. Uma coisa é certa, amor não era. Nem paixão, nem nada disso. Desejo,pele, não sei, mas eu te olhava e queria te dar um beijo. Com gosto do café que a gente tomava a tarde. Detesto beijo com gosto de halls, de tridente, de colgate. Beijo tem que ter gosto de beijo. O gosto da pessoa, o gosto bom. Aposto que você é daqueles que pega na nuca enquanto beija. Que olha nos olhos depois. Você sempre olha nos olhos enquanto fala, sempre eu que desvio, você me deixa sem graça. Você me irrita, na maioria das vezes, não parando de falar, e isso aumenta minha vontade de te dar um beijo. Você beija minha bochecha bem devagar e sorri, quando vai embora, e me deixa com mais vontade ainda. Um beijo proibido. Você também quer me dar um beijo, logo sei, você sente também, já percebi. Perigoso, perigoso. Melhor ficar na imaginação. E se não for tudo aquilo? E se for? Melhor não. Já estou bagunçada demais.
(Mas eu ainda quero)

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Um conto. (II)

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Lembro quando te encontrei pela primeira vez. Você estava lá, sentado do outro lado da mesa do bar. Quase não falava comigo, quanta arrogância, pensei. Mas talvez fosse apenas porque eu estava acompanhada, acompanhada por um amor que já não era mais o mesmo há tempos, só que era difícil de abandonar. Então, como num golpe engraçado do destino, ele me levou no bar, no bar que estava você, você e suas tatuagens, sua cara de desleixado que contrastava com minha aparencia de menininha fágil - ali estava você, o que faltava para me libertar.


Vi que no meio da noite você tinha me notado. Nossos olhares se cruzaram e eu senti um frio na barriga, que só não era maior que meu peso na consciência - Porque, Deus, porque outra pessoa segurava a minha mão em um gesto tão frio, enquanto você me emprestava um olhar tão quente, ainda que não percebesse?


Quis ir embora, mas ao mesmo tempo queria ficar, só pra fingir mais um pouquinho que você era meu. Fingir que a gente tinha uma história, sabe? Coitado de você, tão inocente ali do outro lado da mesa do bar, mal sabia o efeito que surtia em mim. Ou talvez soubesse, quem sabe, e me olhava como provocação. Sorria entre uma cerveja e outra, me espiando entre minhas caipirinhas sem-graça, não, eu não era pra ti. Eu nem se quer tinha coragem de me desfazer de um amor, quem dera me aprofundar em um outro tão, mas tão diferente? Você era aquilo que eu sempre quis, sabia eu, mas com a mesma força que desejavam eu repelia. Não, não era um padrão de beleza aceitável. Mas “amor” o que eu tinha era, eu mesma era desse padrão, mania de ser aceita pela sociedade, ser destacada, passar a imagem de casal feliz - tudo vazio, fingimento, frígido.


Não tirei aquela noite da cabeça, e posso dizer que muita coisa mudou desde então. Me libertei. Pintei os cabelos, sou morena agora. Tomo cerveja, não vivo mais de saltos, muito menos de esteriótipos. Fui naquele bar outras vezes, mas nunca mais te vi. Queria te dar um beijo, um beijo profundo e profano, sei que iria entender. Sei que um dia te encontro por aí nos bares e esquinas da vida. Quem sabe eu não tenha te libertado de algo também?

terça-feira, 25 de outubro de 2011

(des)encontro

500 days of summer




- Nossa, oi.
- (...) O-oi.
(silêncio constrangedor)
- Faz tempo, né?
- Dois anos.
- É... é tempo. Você não mudou quase nada.
- Mudei, mudei muito.
- É, está mais magra, o cabelo um pouco mais curto.
-Não é desse tipo de mudança que eu falo. Você sempre foi ruim nisso.
-(...). Não sabia que estava pela cidade.
- Só de passagem. Não esperava te encontrar tomando café, você nunca gostou de café.
- Foi uma forma de matar a saudades que tinha de você, quando partiu.
- Ainda sente saudades?
- Estou tomando café, não estou? E você, sente minha falta?
- Sinto. Já senti mais. Fico feliz em sentir menos a cada dia.
- Dois anos. Nunca acreditei que você iria embora.
- Você não falou para eu sumir da sua vida, desaparecer, não deixar vestígios? Eu fui.
- Foi da boca pra fora, você sabe. Eu só precisava de um tempo, colocar as coisas no lugar.
- Tempo não existe. E você não me impediu.
- Você sabe que sempre fui orgulhoso. Mas eu te procurei, e como, você nem imagina.
- Me procurar em outros corpos, em outras bocas, em um copo de café, não conta.
- Não seja cruel, amarga.
- Me desculpa. Não tem como não ser, quando a gente tem que ir embora com um amor dentro de si.
- Ainda tem amor?
- Tenho.
- Me ama?
- Não a você, mas alguém que você foi, mas que só existe na lembrança.
- Eu posso voltar a ser.
- Não pode. Não voltou, deixou eu ir. Melhor não se iludir.
(Levantou para sair)
- Espera! Se eu te der um beijo, algo muda?
- Eu estava aí do seu lado, até agora. Beijo não se pede não, acontece. Não aconteceu, você sempre fica na espera, vejo que você não mudou nada.
(Saiu, sem olhar para trás. Ele ficou paralisado. De novo, deixou-a ir.)




“Se ao menos - você me amasse um pouco, não estaria aqui e agora, neste bar, sozinho, longe de você e de mim” Caio Fernando Abreu.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Livros, livros.

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Já fui uma princesa atrapalhada nas mãos de Meg Cabot. Conheci um universo mágico, participei de muitas aventuras, e esperei minha carta para Hogwarts graças a J.K. Rowlling. Caio Fernando Abreu e Clarice Lispector acompanham os mais íntimos dos meus sentimentos: descrevem aquilo que sinto na alma, me inspiram, me acompanham – ou será que eu acompanho eles?


Tive amores de tirar o folego, descritos por Nicholas Sparks. Falei verdades, fui até um pouco profana, porém muito verdadeira, com as palaras de Tati Bernardi. Martha Medeiros me mostrou como é gostoso nosso cotidiano, e que surtar de vez em quando é bom, muito bom. Agatha Christie me fez desvendar crimes espetaculares. Drummond, Meireles, Shakespeare, Hilst, Jabor e tantos outros me emocionam, me fazem viajar, reletir, ter raiva, sonhar. Através deles pude ter muitas vidas, me aventurar em várias histórias, morrer e reviver tantas vezes.


Pobre daquele que acha que ler é chato. Tenho pena daqueles que ainda não mergulharam na leitura, que não sabe prazer de ter em mãos aquele livro tão esperado, de sentir o cheiro - sim, eu adoro os cheiros do meus livros, de devorar as páginas. Não sabem o que estão perdendo.




Obs. Hoje começa a semana nacional da leitura, dia 29 é o dia nacional do livro. Espero que as pessoas se despertem mais para o prazer de uma boa leitura.