Sexta-feira, estávamos todos no barzinho depois da aula bebendo cerveja (eu no caso coca-cola, pois fujo um pouco do tipo básico do universitário, odeio cerveja, não sei jogar truco e não fumo maconha) e filosofando sobre a vida. Até que chegamos aquele ponto que se fala do futuro, e alguém bêbado disse que vai ser rico, casado com uma mulher gostosa e vai ficar domingo jogando pedrinhas no lago com os filhos. E foi nesse ponto que eu me lembrei de uma coisa: eu nunca consegui jogar pedrinhas no lago! A minhas pedrinhas sempre afundaram. Já tentei várias técnicas, procurei as mais achatadas, mas nada, ela nunca deu três pulinhos, ela sempre afundou direto e fazendo muito barulho.
O papo continuava rolando e a galera continuava viajando, mas eu não conseguia tirar a tal pedra da cabeça. Eu me sentia uma adulta frustrada no futuro, como eu iria levar meus filhos no piquenique do lago, e não iria poder impressiona-los com as tais pedrinhas?
Por isso, bolei um plano mirabolante: Sábado de manhã eu pegaria minha bicicleta e iria pedalar até o lago do lado da faculdade (uns 10 min pedalando), só que dessa vez eu não iria lá pra ler debaixo da árvore grande, eu iria me munir de pedrinhas das mais variadas formas e só sairia de lá após fazer a maldita pedra dar 3 pulinhos. Eu estava determinada a isso.
Sábado de manhã, eu acordei, lembrei do meu plano da noite anterior, quando estava me preparando pra levantar veio aquela preguiça e pensei: que as pedrinhas se ferrem (não foi bem ‘se ferrem’ que eu pensei, mas deixa pra lá). Vou ensinar meus filhos a empinar pipa no campinho. E antes que eu pudesse me lembrar que eu também nunca consegui empinar pipa (era papis que sempre colocava ela no céu, e sim, eu fui muito maria-moleque) e pudesse bolar outro plano mirabolante, virei pro lado e voltei a dormir.