terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Game Over.

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Você despertou meu lado menina. Enquanto muitos me ofereciam flores, tudo que você tinha para me dar era um ingresso para o cinema - a gente ainda rachava a pipoca. Scorsese, Almodóvar, Allen? Que nada, víamos qualquer comédia que estivesse em cartaz. A muito custo te convencia a ver legendado.
Mas as suas mãos entrelaçadas nas minhas, o beijo roubado no meio da cena mais importante e o som da sua risada valiam as atuações medianas. Valiam isso e muito mais.

Enquanto eu queria livros, você se desesperava por um jogo de video-game. Eu quebrava a cabeça para escrever um artigo, você passava horas conectado. Era preciso, pois o nível do ogo era alto, dizia você. Eu achava graça.
Coca-cola no lugar de vinho, jantar a luz de velas com miojo e salsichas como prato principal. Você era péssimo na cozinha, mas me divertia muito com as tentativas. Isso deixava tudo ainda mais delicioso.
Você não era um gentleman, mas me fazia muito bem. Regado a risadas e lasanha de microondas, meu lado menina estava cheio, explêndido, feliz.
Mas não meu lado mulher.

O que dizer? Seu lado menino estava no auge, logo não tinha como corresponder meu outro lado. E senti uma falta absurda disso.Até que não podia mais.
Obrigada por despertar em mim essa juventude, deixar tudo mais leve. Mas, como sabe, sou mulher. Alguns anos a mais.Não posso viver só de meio termos - me aventurar sempre em uma embarcação quando na verdade necessito de um porto seguro. Cresça também, quem sabe a maré nos leve para um outro lugar, em um outro dia. Por enquanto, para que fique claro para você, Game Over.

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sábado, 25 de fevereiro de 2012

Unsaid Things.

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Quando se foi, quis te dizer muitas coisas, mas não podia dize-las naquele momento, você sabe. Quis te dizer para ficar, não partir, ainda que soubesse que ir embora era o caminho certo. Não disse. Mas se eu tivesse dito, teria mudado alguma coisa? Difícil saber.
Não acredito naquele papo de se tiver que se encontrar a gente se encontra, se é pra ser vai ser. Não, não deixamos ser quando nos coube, não será depois. Será? Só o que sei é que os caminhos que decidimos tomar – você partindo e eu ficando – foram consequência das nossas atitudes, ou falta delas.
Quando encontrei debaixo da minha cama aquela sua meia sumida, quis te dizer que voce era muito desorganizado. Que isso me irritava muito, o que é claro, me fazia te amar cada vez mais. Dói esse amor perdido.
Quis te dizer que eu te odiava, embora soubesse que o que odiava não era você, mas o amor magoado que ainda tinha dentro de mim, e que não podia dividir com mais ninguém. Quis te dizer que tudo podia ser tão simples, embora a gente soubesse que só amor não bastava. A gente pensa que é simples, mas não, não é.
Rasguei nossas fotos. Como eu queria te dizer que detestava aquela sua cara presunçosa, se achando o  mais bonito de todos. Queria te dizer que você era mesmo, o mais lindo. Que seu sorriso era profundo. Que sua eterna olheira de cansaço era um charme, embora voce achasse que atrapalhava essa sua beleza tão, tão enjoativa, de tão perfeita.
Quase te disse. Quase te disse isso e muito mais. Ficou engasgado. Sei que voce tinha também muitas coisas para me dizer. Coisas não ditas, palavras mal ditas. Malditas.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Serpentina.

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Hoje ela seria colombina, faria seu Pierrot chorar pelo amor que era todo  do Arlequim. Hoje ela se vestiria  de cores, sabores, amores, despiria toda a tristeza e solidão.
Hoje seguiria o bloco, não deixaria o samba morrer, abre alas que ela quer passar! O balance  balance, me deixa dançar com você?
Segue os passos dela, vira, roda, gira, até o outro dia chegar. Hoje não tinha fantasia de escritório, gente séria, hoje seria o personagem que quiser. É a mulata com sabor do Brasil, com a alma cor de anil. E mesmo que ninguém queria dar um dinheiro aí, mesmo sabendo que cachaça não é água não, iria era rir dos problemas, cair na folia, porque no meio de tanta coisa ruim nesse mundo, hoje é dia de brindar a alegria!

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

I wanna be away from here.

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E essa obrigação de sermos felizes o tempo todo, de ter uma família como as dos comerciais de margarina, de ter os dentes brancos feito propaganda de colgate, o corpo escultural de panicat ou a magreza das estilosas francesas? Essa obrigação de ter alguém para dividir a nossa felicidade – pois ai de ti se falar que prefere estar sozinho. Só pode ser maluco! Ninguém é feliz sozinho.
Por que não? “Solidão ás vezes é tão nítida como uma companhia”, disse o poeta. E eu acho que é bem verdade. Embora eu tenha alguém para dividir as tardes tediosas de domingo, de vez em quando prefiro ter em minha companhia somente uma boa música, e um copo de café, é claro.
Tem gente que tem tanto medo de ficar sozinho, que prefere agüentar um relacionamento mais ou menos, engolir coisas que não aceita e se omitir. Por que tanto preconceito com a solidão?  Ninguém é feliz se está sozinho o tempo todo, é bem verdade, mas aproveitar um silêncio, um momento único, um encontro com você mesmo é ótimo. Antes de querer conhecer os outros, vá se conhecer! Você deve ter qualidades que nem desconfia.
E essa tal felicidade que querem nos enfiar goela abaixo? Faça isso e seja feliz. Tenha aquilo e terá felicidade.  Tem até livro dizendo como a gente faz para ser feliz!
Receita de felicidade não se acha em livro não, amigo. Felicidade é muito ampla, única. Cada um tem seu jeito de ser feliz, seja tendo uma família como as dos comerciais de margarina ou saindo desgarrado pelo mundo.
Essa coisa que ficam nos empurrando o tempo todo não é felicidade. Ficar tentando ser aceito por uma coisa que você não é não vai te fazer mais feliz. Ter alguém por medo de passar seus dias sozinhos não vai te deixar menos solitário. Essas pessoas com sorrisos tão brancos e aparências tão saudáveis, nem sempre estão assim por dentro. Como diz a Pitty em uma música que eu adoro, “ flashes capturam a melhor fachada, mas quem vê foto não vê coração”.


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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Zodíaco

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Acordava todo dia, abria a página do jornal – coisa mais antiga, jornal – olhava todas as notícias. Conversavam vagamente sobre as manchetes, sobre o preço do leite que subiu novamente, um absurdo claro. E a criminalidade, que não para de crescer? Sem falar no transito caótico, viver é muito difícil se a gente levar a vida tão a sério.
Antes de sair para trabalhar, não podia deixar de ler o horóscopo. O dela, e naturalmente, o dele também. E acreditava mesmo! Tolinha.
Ele não, era muito mais prático. Enquanto ela era total emoção – embora fosse encantadora a maior parte do tempo, era cansativa demais – ele era a razão propriamente dia. Para que complicar não é?
Ela claro, tinha grandes quedas por paixões avassaladoras, de tirar o folego. Vira e mexe lia no jornal que viveria um romance de cinema. Acreditava piamente, apesar de estar quase conformada que não seria com ele. Pinta de Brad Pitt podia até ter, mas não tirava fôlego nenhum. Romance de menos, rotina de mais, paixão de menos, amor ameno. Ela queria ir mais longe. Chegar as estrelas, expandir horizontes. Ele não acreditava nas estrelas, no zodíaco, em amor – sempre pé no chão. Até demais.
Não precisava ser astrólogo nenhum para prever que ela iria em busca da sua estrela, do seu amor, ia conhecer outros caminhos. Não precisava que o signo combinasse, o que precisava era ter disposição de querer viver esse amor que ela transbordava – até a última gota, não mata - leu isso por aí. Até a última gota.
Claro que ele ficou. Com os pés no chão, a ver navios e sonhar todo dia com aquele cheiro de incenso e exoterismo que ela tinha. Toda manhã, ele lia as notícias do jornal, e não podia deixar de ler os horóscopos - o dele, e naturalmente, o dela. Não que acreditasse, claro.

domingo, 29 de janeiro de 2012

A nossa não história.

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Sinto saudades da história de amor que a gente nunca teve. Na verdade ela existiu, foi muito real na minha imaginação de garotinha apaixonada. Você, tão longe de mim, e ao mesmo tempo tão presente. Presente nos meus devaneios antes de dormir, nos sonhos, no meu pensamento. Mal sabe você, mas casamos diversas vezes. Na praia, no campo, em uma festa luxuosa ou em uma muito simples, somente eu e você. Piegas.
Ficava combinando meu nome com seu sobrenome. Sim, altamente brega isso - mas vamos confessar - todo mundo já fez isso algum dia. Enquanto eu e você ríamos sem jeito das nossas piadas, e fazíamos mil planos para quando a gente se encontrasse, eu já tinha vivido milhares de histórias de amor com você.
Muitos kilômetros nos separavam. Mas para a minha imaginação, isso não era barreira nenhuma. Amor aproxima, sabia não?
Ah, essa história de amor que eu inventei para nós foi boa, muito boa enquanto durou. Só que ás vezes precisamos da presença entende? Não somente de apoio, mas do ombro para chorar. Não somente do sorriso imaginado, mas do abraço longo e apertado, do cheiro da pele, do toque, do olho no olho.
Esse nosso não-amor que era mais amor que muitos que vivi, faz falta. Da saudades. Vez em quando ainda imagino você e eu, em um mundo que não existe distância, mapas ou barreiras. Mas só imagino, devaneio.
Pois ainda que eu tenha as estradas que me levem até você, ficar aqui é mais seguro. Obrigada por esse amor que nunca existiu, mas que construiu entre a gente um carinho que é muito real.




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domingo, 22 de janeiro de 2012

Sem roteiro.

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Bom seria se a vida fosse como nos  filmes - esses de romances engraçadinhos e açucardos que assistimos num sábado a noite quando não se tem o que fazer, geralmente acompanhado com uma gordice qualquer e um pijama velho - enfim seguindo aquele roteiro um tanto previsível. Você sabe qual. A mocinha linda, inteligente, esperta, engraçada - porém sozinha- conhece o rapaz  lindo, espirituoso e um tanto cafajeste. Assim que se conhecem eles se odeiam, o que logicamente cria uma forte atração entre eles. A raiva é um grande tempero do amor, você sabe.Então eles ficam se pentelhando o filme todo, até que em uma noite discutem no meio da chuva (provavelmente porque o carro quebrou ou porque eleescolheu ir a algum lugar e deu tudo errado) e no meio da discussão eles se olham, se calam e se beijam ferozmente.
Aí, quando enfim descobrem o óbvio, alguém vem e estraga tudo. Seja uma ex com um plano mirabolante, ou um segredo dele, ou alguma coisa do passado dela... mas tudo da errado. Isso acontece, claro, para que no final ele  vá resgata-la antes dela embarcar em algum voô para o tibet, ou antes dele decidir virar monge, algo assim. Grandes entradas, sempre na hora certa, um novo beijo,e pronto, são felizes para sempre.
Mas a vida não é um roteiro de filme. Não temos certeza se o nosso cara lindo é só um cafajeste disfarçado, louco por nósk, ou apenas um sem coração mesmo. Se decidirmos ir embora para o Tibet, mesmo com aquela vontade de ficar, muito provavelmente iremos embarcar sem niguém correndo atrás da gente e dizendo para não irmos. Vai ter gente querendo jogar areia na nossa felicidade o tempo todo, e como vai, só que não vamos resolver nossos problemas com um beijo de cinema no meio da chuva. Na vida real as coisas são mais complicadas.
E muitas vezes nós mesmo complicamos, porque queremos que nossa vida imite a arte. Queremos grandes paixões, beijos em Veneza, juras de amor na chuva e Bbrad Pitt loucos pela gente.
Mas nossa vida não é sessão da tarde. O que não significa, é claro, que ela é menos interessante... pelo contrário! Aqui, no real, é muito melhor. Fugir dos clichês. Surpreender. Sem final feliz... mas descobrindo um pouco a felicidade a cada dia. E se as coisas sairem do roteiro? A gente reescreve. Temos uma nova chance todo dia quando acordamos, para ser o personagem que quisermos.






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