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foto: Weheartit.com |
Mas então você me diz que acabou. A-C-A-B-O-U, assim, com todas as letras. Elas pesam, demoram para ser ingeridas. E quando finalmente são, quando cai a ficha, dói. Tudo dói, e parece que é a maior dor do mundo, com milhares de farpas entrando no estômago. Dói ter acabado, doi tua frieza, tua ausência, indiferença. Dói você não estar aqui pra me dizer isso.
Ontem, era todo o amor do mundo. Era aquela coisa de pra sempre, aquela coisa de não deixar nada, nada nem ninguém acabar com isso. Ainda ontem, eram promessas, carinhos, beijos, risos.
Ontem me pareceu tão distante, tão ilusório.
Chorei. Chorei pela coisa que senti morrendo dentro de mim. Chorei por não saber o que fazer com todo esse amor que cisma em querer sai. Essa mistura de dor, frustração, amor. Chorei por ouvir você dizer que me ama - dizer de uma maneira dura e mecânica - e saber que isso não é mais suficiente para ti.
E de repente vem tudo como naqueles velhos clichês de filmes. Vem suas risadas ao pé do meu ouvido, sua cara amassada pela manhã, seu braço me abraçando e me protegendo do mundo, todas as lembranças que foram boas- que são boas - mas que agora parecem só torturas.
Falo para mim que não quero te ver nunca mais. Mas o que eu sei, na verdade, é que quero que você apareça na minha frente, assim de repente, com a barba mal feita - apareça na minha frente e me diga que foi tudo um engano, que não pode viver sem mim, que quer ficar ao meu lado, que nunca me perderia.
Mas ainda é mais fácil não te ver nunca mais, do que acreditar nessas falsas esperanças.
Ninguém morre de amor, é o que dizem. Não vou morrer, vai passar, talvez leve tempo, um mês, dois, uma vida toda.
Ninguém morre de amor. Mas é como se eu só vivesse uma meia vida sem você.
Mas, acabou.
O que me resta, é retirar as farpas. Ou colocar uma barreira e fingir que ta tudo bem, que vai ficar tudo bem. E te esperar silenciosamente, acreditar que o tudo que você me disse um dia foi verdadeiro.
“A impressão que tenho é que nunca vai passar. Que a cicatriz não fecha. Que só de esbarrar, sangra.” - Caio F. Abreu
obs. Não é um texto bonito. Mas é sincero, real.